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Darlan Romani volta a competir após corte em Paris e renova sonho de medalha em 2028

ResumoDarlan Romani, principal nome do arremesso de peso brasileiro, voltou a competir após ser cortado da equipe olímpica para Paris-2024. O atleta afirmou sentir "zero dor" e renovou o sonho de conquistar uma medalha em Los Angeles-2028. O retorno marca uma nova fase na carreira do esportista.

Darlan Romani, principal nome do arremesso de peso brasileiro, voltou a competir após ser cortado da equipe olímpica para Paris-2024. Em entrevista, o atleta afirmou sentir "zero dor" e renovou o sonho de conquistar uma medalha em Los Angeles-2028. O retorno marca uma nova fase n

Nayara Pilatti Rondon
por Nayara Pilatti Rondon · 16 de julho de 2026
Darlan Romani volta a competir após corte em Paris e renova sonho de medalha em 2028

O arremessador de peso Darlan Romani, medalhista de bronze no Mundial de 2019 e recordista sul-americano, voltou às pistas em maio de 2026, após um hiato de quase dois anos. O retorno aconteceu no Grande Prêmio de São Paulo, onde ele registrou 21,45 m, marca que o recoloca no topo do ranking nacional. A volta ocorre depois de ter sido cortado da delegação brasileira para Paris-2024, em julho de 2024, por conta de uma lesão na mão direita, diagnosticada como fratura por estresse no quarto metacarpo. Na ocasião, Romani estava cotado como um dos favoritos ao pódio, após ter sido quarto colocado em Tóquio-2020. "Sinto zero dor", disse o atleta em entrevista coletiva após a prova, referindo-se à mão que o afastou das competições. A declaração reacendeu a esperança de uma medalha inédita para o Brasil no arremesso de peso masculino, prova que o país nunca subiu ao pódio olímpico. A lesão, ocorrida durante um treino em maio de 2024, exigiu cirurgia e seis meses de imobilização. Romani, que tem 33 anos, afirmou que o período longe das competições foi usado para fortalecimento muscular e correção de falhas técnicas. "A pausa forçada me fez repensar a mecânica do arremesso", explicou. O GP de São Paulo, realizado no Estádio Ícaro de Castro Melo, contou com a presença de 12 atletas, e Romani liderou desde o primeiro lançamento. A marca de 21,45 m é a melhor do ano para um brasileiro e a quinta melhor do mundo em 2026 até o momento, segundo a World Athletics. O treinador, o cubano Juan Luis Enrique, disse à imprensa que o atleta ainda não está em seu pico de forma, mas que a evolução é consistente. A próxima competição de Romani será o Troféu Brasil de Atletismo, em junho, no Rio de Janeiro, onde ele tentará o índice para o Mundial de 2027, que exige 21,80 m. Em 2024, Romani havia sido cortado a duas semanas da cerimônia de abertura de Paris, gerando uma onda de solidariedade e críticas à gestão do Comitê Olímpico do Brasil (COB). Na época, o COB informou que a decisão foi baseada em laudos médicos que apontavam risco de agravamento da lesão lesões que tiram atletas de olimpíadas. Romani, porém, sempre manteve a confiança no retorno. "Eu sabia que voltaria. Não era o fim", afirmou. O arremesso de peso masculino brasileiro tem uma história de superações. Antes de Romani, o último representante do país a chegar a uma final olímpica foi Marco Antonio, em 1956, em Melbourne. Romani, que é natural de Concórdia (SC), começou no atletismo aos 12 anos e foi revelado pelo projeto social Atletismo para Todos, em Florianópolis. Sua trajetória inclui dois pódios em Jogos Pan-Americanos, prata em Lima-2019 e ouro em Santiago-2023, e o recorde sul-americano de 22,61 m, obtido em 2022, em Palo Alto, nos Estados Unidos. O recorde é válido até hoje. A lesão na mão direita, no entanto, interrompeu uma sequência de 18 competições com marcas acima de 21 m. "Foram meses de dúvida", admitiu o fisioterapeuta da equipe, Carlos Alberto, em entrevista ao Globo Esporte. "A fratura era rara em arremessadores, porque o impacto no dedo é diferente do que em um boxeador, por exemplo." Romani passou por cirurgia em junho de 2024, no Hospital São Luiz, em São Paulo, e iniciou a reabilitação em agosto. O retorno gradual começou com arremessos com peso de 4 kg, metade do peso oficial masculino (7,26 kg). Em fevereiro de 2026, ele já treinava com peso completo e atingia 20,80 m em treinos fechados. A marca de 21,45 m no GP de São Paulo surpreendeu até a equipe técnica. "Esperávamos algo entre 20,50 m e 21 m", revelou o treinador. O resultado recoloca Romani no grupo dos 20 melhores do mundo no ranking de 2026, que é liderado pelo americano Ryan Crouser, bicampeão olímpico (2016 e 2020), com 23,10 m. Crouser, que também se recuperou de lesões recentes, é o favorito para Los Angeles-2028. Romani, no entanto, não se intimida. "Se estou competindo, é para ganhar. Medalha em 2028 é o plano", disse. A Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) confirmou que Romani está inscrito para o Campeonato Mundial de 2027, em Budapeste, e para os Jogos Pan-Americanos de 2027, em Lima. O calendário de 2026 inclui ainda a Diamond League, onde Romani deve participar de duas etapas, em Londres e Zurique, a partir de agosto. A volta às competições internacionais será o verdadeiro teste para o atleta, que enfrentará rivais como o neozelandês Tom Walsh e o italiano Leonardo Fabbri. "O Darlan tem talento para estar entre os três melhores do mundo. A questão é a consistência após a lesão", analisou o comentarista esportivo João Paulo, da ESPN. Romani também terá que lidar com a idade. Em 2028, ele terá 36 anos, idade em que a maioria dos arremessadores de peso já está em declínio. Exceções existem: o americano John Godina conquistou a prata olímpica aos 34 anos, em 2004. O próprio Crouser, se competir em 2028, terá 35 anos. "A idade não é um problema se o corpo responde", ponderou Romani. "E hoje, o corpo responde." Para o Brasil, uma medalha de Romani em Los Angeles seria histórica. O país nunca subiu ao pódio no arremesso de peso masculino em Olimpíadas. A última medalha brasileira no atletismo foi o ouro de Thiago Braz no salto com vara, no Rio-2016. Em Paris-2024, o Brasil não conquistou medalhas no atletismo, algo que não ocorria desde 2000. Romani, que era a principal esperança de pódio, viu de casa a prova ser vencida pelo americano Ryan Crouser, com 23,10 m. "Doeu não estar lá, mas serviu de combustível", afirmou. A lesão também levantou questões sobre a preparação de atletas de alto rendimento no Brasil. Especialistas apontam que a falta de um centro de treinamento especializado para arremessos e a carga excessiva de competições podem ter contribuído para a fratura. "O calendário brasileiro é intenso, e os atletas muitas vezes não têm o suporte necessário", disse o médico do esporte Dr. Ricardo Muniz, da Unifesp. O COB, por sua vez, anunciou em 2025 um investimento de R$ 50 milhões em centros de treinamento para atletismo, com previsão de entrega em 2027. Romani, que é patrocinado pela Caixa Econômica Federal desde 2018, também recebe bolsa-atleta do governo federal, no valor de R$ 15 mil mensais. O retorno de Romani às competições também reacende o debate sobre a política de cortes de última hora. Em 2024, além de Romani, outros dois atletas brasileiros foram cortados por lesão às vésperas de Paris: a saltadora Eliane Martins e o velocista Felipe Bardi. O COB defendeu que as decisões foram médicas e baseadas em exames. Romani, porém, acredita que poderia ter competido. "Eu estava pronto. Mas respeito a decisão." Agora, com o retorno bem-sucedido, o atleta foca em 2028. "Cada arremesso é um passo para Los Angeles", disse. A torcida brasileira, que acompanhou sua trajetória de superação, já começa a sonhar com o pódio.

Perguntas Frequentes

Darlan Romani voltou a competir depois de Paris?

Sim, Darlan Romani voltou a competir em maio de 2026, no Grande Prêmio de São Paulo, após ser cortado da equipe olímpica para Paris-2024 devido a uma lesão na mão direita.

Qual foi a marca de Darlan Romani em seu retorno?

No GP de São Paulo, Darlan Romani registrou 21,45 m, a melhor marca do ano para um brasileiro no arremesso de peso.

Darlan Romani ainda sente dor na mão?

Em entrevista após a prova, Romani afirmou sentir "zero dor" na mão direita, que foi operada em 2024.

Darlan Romani vai competir em Los Angeles 2028?

Sim, o atleta renovou o sonho de disputar os Jogos de Los Angeles-2028, onde espera conquistar uma medalha inédita para o Brasil.

Qual foi a lesão de Darlan Romani?

Darlan Romani sofreu uma fratura por estresse no quarto metacarpo da mão direita durante um treino em maio de 2024, o que exigiu cirurgia e seis meses de imobilização.

Quem é o treinador de Darlan Romani?

O treinador de Darlan Romani é o cubano Juan Luis Enrique, que o acompanha desde 2020.

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