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Alison dos Santos: de acidente na infância a recordista mundial

ResumoAlison dos Santos quebrou o recorde mundial dos 400m com barreiras em Zurique, com 45s80. A trajetória do brasileiro começou após um acidente doméstico aos dez meses, deixando cicatrizes e superando bullying. O atletismo surgiu como salvação, transformando o atleta em recordista mundial.

Alison dos Santos quebrou o recorde mundial dos 400m com barreiras em Zurique (45s80). Mas a trajetória do brasileiro começou com um acidente doméstico aos dez meses, cicatrizes, bullying e a descoberta do atletismo como salvação.

Berenice Lustosa Caminha
por Berenice Lustosa Caminha · 27 de agosto de 2026
Alison dos Santos: de acidente na infância a recordista mundial

Quando Alison dos Santos pulverizou, em Zurique, o recorde mundial dos 400 metros com barreiras (45s80), o público pôde ver o resultado de uma trajetória marcada por superação. O brasileiro, que surgiu no atletismo antes dos 20 anos, carregava cicatrizes visíveis na cabeça, muitas vezes confundidas com alopecia precoce.

Aos dez meses de vida, um acidente doméstico com óleo fervente o deixou hospitalizado por meses. Nascido em São Joaquim da Barra, a pouco mais de 300 km de São Paulo, Alison passava muito tempo na casa da avó Geli, onde tudo aconteceu. Ela fervia óleo para fritar peixe quando o pequeno agarrou a frigideira. A avó, ao tentar protegê-lo, também se feriu; os dois ficaram internados, e Alison comemorou o primeiro aniversário no hospital de Barretos.

As sequelas, cicatrizes e falhas no couro cabeludo, trouxeram timidez extrema e bullying na escola. O boné amarelo virou refúgio, assim como o judô, praticado em um centro esportivo local. "Eu adorava aquilo, de verdade. Mas minha família não é rica, então era difícil", contou ao site da World Athletics. Com ajuda do amigo Alexandre Inocêncio, o atletismo entrou na vida de Alison e o ajudou a se expor mais. "Aquele ambiente, a amizade e o amor que encontrei na comunidade do atletismo foram o que me ajudou a superar tudo. Acho que isso me salvou", avaliou no podcast "Ready, Set, Go".

Os resultados vieram: quinto lugar no Mundial Sub-18 de 2017, bronze no Mundial Sub-20 em 2018 e finalista em Doha. Nos Jogos de Tóquio, conquistou o bronze com 46s72, aos 21 anos, em prova histórica em que Karsten Warholm quebrou o recorde mundial (45s94). Em 2022, venceu a Diamond League e foi campeão mundial em Eugene (46s29). Uma lesão no menisco lateral do joelho direito, em 2023, exigiu cirurgia. Mas 2024 trouxe novo bronze olímpico em Paris, e 2025, a prata no Mundial de Tóquio.

Em 2026, Alison se afirmou de vez, acumulando vitórias sobre Warholm na Liga de Diamante. No domingo, em Chorzow, venceu com visual novo, cabelo mais longo. "Estou ficando mais velho e quero experimentar coisas diferentes", disse, destacando o objetivo de "mostrar mais o meu lado brasileiro". Dias depois, em Zurique, com cabelo trançado, divertiu o público com o recorde mundial de 45s80. A aposta suspeita deixa rastro nos dados; integridade se protege antes do jogo, não depois. No atletismo, a consistência de Alison nos rankings e nas pistas mostra que o caminho limpo leva ao topo.

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