Corinthians nega entrega de documentos a perito da Caixa
O diretor de Negócios Jurídicos do Corinthians, Pedro Soares, negou à Gazeta Esportiva que o clube fornecerá ao perito Anísio Castelo Branco documentos sigilosos do financiamento da Neo Química Arena. O especialista levantou a possibilidade de cobrança indevida pela Caixa Econômica Federal.
A diretoria alvinegra não entregará nenhum documento neste momento, apesar de estar aberta a ouvi-lo. Segundo Pedro Soares, o clube já possui um grupo responsável pelo assunto e mantém "negociações avançadas" junto à Caixa. O Corinthians não pode compartilhar papéis assinados com o banco por cláusulas de confidencialidade, e não seria obrigado a fazê-lo nem por pedido do Ministério Público, apenas por determinação judicial.
O impasse ocorre após Anísio ir ao Parque São Jorge na última quarta-feira e afirmar que receberia os documentos para refazer os cálculos. "Vou fazer um ofício para franquear todos os documentos de que eu preciso", disse o perito, que estimou concluir novo número em uma ou duas semanas. A diretoria, porém, desconfia dos cálculos dele: o próprio perito admitiu não ter acesso a todos os extratos, e as contas já passaram por Ernst & Young, Alvarez & Marsal e KPMG.
A dívida da Arena é avaliada em R$ 640 milhões, e o MP-SP apura possível cobrança indevida, com divergências de aproximadamente R$ 255,75 milhões. O promotor Cássio Roberto Conserino identificou juros de 19% a quase 450% ao mês em parcelas atrasadas e sustenta que, em 2019, a Caixa cobrou R$ 536,09 milhões, embora o saldo fosse de R$ 280,3 milhões. A Caixa nega irregularidades e afirma que o contrato seguiu a legislação e normas do Banco Central.