Alison dos Santos vence Mundial Ultimate com 3º melhor tempo
Alison dos Santos, o Piu, venceu neste domingo os 400 metros com barreiras do Mundial de Atletismo Ultimate, em Budapeste, com o tempo de 45 segundos e 98 centésimos, o terceiro melhor da história da prova. O brasileiro de 26 anos, recordista mundial desde o final de agosto, superou o americano Rai Benjamin, que ficou com o segundo lugar (46.40), e o norueguês Karsten Warholm, terceiro colocado (46.78).
A resposta direta sobre o que mudou neste resultado: Alison completou a prova abaixo dos 46 segundos pela segunda vez na carreira, feito que ninguém havia alcançado antes. Seu tempo de 45s98 é superado apenas pelo próprio recorde mundial (45.80), batido em Zurique no final de agosto, e pela marca anterior de Warholm, estabelecida para conquistar o ouro olímpico nos Jogos de Tóquio em 2021 (45.94).
O que mudou na prática é a posição do brasileiro no cenário da prova. Ele chegava à competição como favorito e adversário a ser batido, apesar do alto nível dos concorrentes, e derrotou os rivais com autoridade, deixando para trás o campeão olímpico e mundial Rai Benjamin. Warholm, que detinha a marca anterior, ficou ainda mais atrás, em terceiro.
A vitória também altera a dimensão financeira do resultado. Alison recebe um prêmio de US$ 150 mil, pouco mais de R$ 760 mil na cotação atual, o dobro do valor recebido por um campeão mundial de atletismo. O valor reflete a proposta da nova competição, que reuniu atletas de alto nível em Budapeste.
Do ponto de vista da integridade da competição, o resultado se sustenta em dois elementos objetivos: a regularidade do atleta, que repetiu a marca abaixo dos 46 segundos, e a margem sobre os adversários diretos. A competição só existe se a regra valer para todos, e o tempo de 45s98, registrado em prova oficial, é o que separa a vitória de uma simples expectativa.
Para dirigentes e estudantes de direito desportivo, o caso interessa menos pelo placar e mais pelo que ele demonstra sobre padrão de prova. Nenhuma marca é validada sem cronometragem oficial e sem o cumprimento das regras da prova. Alison não venceu por ausência de concorrência: venceu com o terceiro melhor tempo da história, contra um campeão olímpico e mundial e contra o recordista anterior da distância.
A consequência regulamentar é direta: com a vitória, Alison se coloca como o grande nome do momento nos 400 m com barreiras e consolida a melhor temporada de sua carreira. O resultado não depende de interpretação, apenas do tempo registrado e da ordem de chegada.