Técnico do Osasco critica CBV sobre banir trans: "Não é justo"
O técnico do Osasco, Luizomar de Moura, classificou como injusta a decisão da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) de adotar a política do Comitê Olímpico Internacional (COI) sobre a elegibilidade de atletas transgênero na categoria feminina. A medida afeta diretamente a oposta Tifanny Abreu, primeira atleta trans na elite do vôlei brasileiro. A declaração foi dada na noite desta sexta-feira (4), após a vitória por 3 sets a 0 sobre o Paulistano Barueri, no Ginásio José Liberatti, pelo Campeonato Paulista.
"Não é justo", afirmou Moura, que acompanhou a partida mesmo com compromissos da seleção de Cuba. O treinador destacou que a convivência com Tifanny, que atua no clube desde 2021, o tornou "um ser humano melhor". A medida, segundo ele, surpreendeu a todos no time, que não esperava a adesão da CBV à diretriz do COI.
O Osasco, nesse cenário, consulta órgãos internacionais e nacionais sobre a possibilidade de reverter o posicionamento. O prazo é outubro, quando começa a próxima edição da Superliga. A cláusula em disputa, na prática, define quem pode competir na categoria feminina, e a leitura atual exclui atletas como Tifanny, que atua na posição de oposta.
Do ponto de vista contratual, a situação expõe um ponto sensível: a elegibilidade esportiva é condição implícita em qualquer vínculo de atleta profissional. Quando uma entidade reguladora altera essa condição no meio do ciclo, o contrato de trabalho e o direito de imagem do atleta ficam em zona de incerteza. O clube, ao buscar reversão, tenta preservar tanto o vínculo quanto a expectativa de disputa da Superliga.
A fala de Moura ressalta ainda o aspecto humano da decisão. "Me tornou um ser humano melhor", disse, referindo-se à convivência com Tifanny. A declaração contrasta com a frieza da norma técnica, que trata a questão por critérios de elegibilidade, sem considerar trajetórias individuais.
Resta acompanhar se a consulta do Osasco resultará em mudança até outubro. regras de elegibilidade no vôlei O desfecho definirá não só o futuro de Tifanny na Superliga, mas também o precedente para outros casos no esporte nacional. direitos de atletas trans no Brasil