Scaloni, o maestro inesperado que regeu a era mais gloriosa da Argentina
Lionel Scaloni, que assumiu a Argentina em 2018 como interino sem experiência, construiu a era mais vitoriosa da seleção: Copa América 2021, Finalíssima 2022, Copa do Mundo 2022 e Copa América 2024. Agora, na final da Copa de 2026 contra a Espanha, ele busca igualar o feito de Vi
Lionel Scaloni, o maestro inesperado que regeu a era mais gloriosa da Argentina, tem a chance de escrever mais um capítulo de ouro no domingo (19), quando a seleção argentina enfrenta a Espanha na final da Copa do Mundo de 2026, no MetLife Stadium, em East Rutherford, nos arredores de Nova York.
Aquela imagem do Catar, em que Scaloni desaba em lágrimas enquanto Leandro Paredes o abraça logo após conquistar a Copa do Mundo, resume sua trajetória na seleção argentina: do período como técnico interino, inicialmente questionado, até assumir seu lugar na mesa da elite ao lado de César Luis Menotti e Carlos Bilardo.
O início improvável: de assistente a interino
Todas as dúvidas e questionamentos surgiram quando Claudio Tapia, presidente da Associação do Futebol Argentino (AFA), entregou o comando da seleção a Scaloni. A eliminação nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2018, com derrota para a França, deixou a 'Albiceleste' mergulhada em uma profunda crise, marcando o fim da passagem de Jorge Sampaoli pelo comando da equipe.
Tapia buscou alternativas entre treinadores argentinos conhecidos na Europa, mas nenhum aceitou. Então, ele apostou em Scaloni, um dos assistentes de Sampaoli no Mundial da Rússia, alguém próximo ao elenco e, especialmente, a Messi.
Scaloni, que como jogador defendeu a seleção argentina em sete jogos, viveu a Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, ao lado de um jovem Messi, um vínculo que mais tarde se mostraria fundamental para o processo de reconstrução da equipe.
Sua nomeação como interino, em setembro de 2018, gerou críticas devido à falta de experiência. Ele nunca havia comandado um clube, e Maradona chegou a ironizar: "É um grande cara, mas não conseguiria nem controlar o trânsito".
A construção de uma identidade competitiva
Sem o histórico impressionante de Menotti ou Bilardo, ícones que representam duas formas diametralmente opostas de jogar futebol e encarar a vida, Scaloni foi o maestro inesperado que regeu a Argentina no caminho até o terceiro título mundial.
Scaloni construiu um projeto baseado em um trabalho silencioso e apoiado por colaboradores como Pablo Aimar, Walter Samuel e Roberto Ayala.
"São sempre os jogadores que decidem as partidas. O técnico deve se adaptar a eles", ele repetia, enquanto a Argentina encontrava sua identidade e deixava para trás os anos de incerteza.
A primeira grande conquista: Copa América 2021
A primeira grande conquista veio na Copa América de 2021, no Brasil. Depois da eliminação na semifinal em 2019, a Argentina tentou novamente e alcançou a glória dois anos depois, no Maracanã, contra a Seleção Brasileira (1 a 0).
Com isso, um jejum de 28 anos sem títulos foi encerrado. Messi, então aos 34 anos, levantava seu primeiro troféu com a seleção principal.
O ciclo vencedor: Finalíssima e Copa do Mundo 2022
Em junho de 2022, veio a vitória na Finalíssima contra a Itália (3 a 0), em Wembley. E meses depois, a imortalidade no Catar.
A Argentina perdeu para a Arábia Saudita em sua estreia na Copa do Mundo de 2022, mas Scaloni manteve a calma e pediu aos argentinos que acreditassem. A equipe reagiu, sobreviveu a jogos de vida ou morte e derrotou a França em uma final decidida nos pênaltis (4-2, após empate em 3 a 3 em 120 minutos). A imagem de Scaloni chorando como uma criança nos braços de Paredes é um resumo da história.
A consolidação: Copa América 2024
O ciclo vencedor continuou na Copa América de 2024. A Argentina conquistou novamente o torneio continental ao derrotar a Colômbia por 1 a 0 na final disputada em Miami.
A caminhada até a final de 2026
Agora, quatro anos depois daquela consagração no Catar, Scaloni tem novamente a oportunidade de escrever mais um capítulo de ouro com a 'Albiceleste'. A trajetória da Argentina até a decisão no MetLife Stadium tem sido marcada por resiliência e personalidade. A equipe superou adversidades com viradas contra a Inglaterra (2 a 1), na semifinal, e Egito (3 a 2), nas oitavas, e sobreviveu a jogos de alta tensão contra Cabo Verde (3 a 2), na fase de 16-avos, e Suíça (3 a 1), nas quartas, ambos decididos na prorrogação.
Mais um exemplo da batuta de Scaloni: um time que nunca perde a calma e encontra respostas quando parece estar contra as cordas.
O feito histórico que Scaloni pode alcançar
Arquiteto da era mais vitoriosa na história da seleção argentina, Scaloni agora encara a possibilidade de conquistar mais uma Copa do Mundo e se tornar o segundo técnico a vencer duas edições consecutivas do torneio, um feito que pertence exclusivamente a Vittorio Pozzo, campeão à frente da Itália em 1934 e 1938.
Apesar de suas conquistas, Scaloni rejeita ser veementemente colocado no mesmo patamar de Menotti e Bilardo.
Perguntas Frequentes
Scaloni já foi técnico de algum clube antes da seleção?
Não. Quando assumiu a Argentina como interino em 2018, Scaloni nunca havia comandado um clube profissional.
Quantos títulos Scaloni conquistou pela Argentina?
Foram quatro títulos principais: Copa América 2021, Finalíssima 2022, Copa do Mundo 2022 e Copa América 2024.
Quem era o técnico da Argentina antes de Scaloni?
Jorge Sampaoli, que deixou o cargo após a eliminação nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2018 contra a França.
Qual a relação de Scaloni com Messi?
Scaloni e Messi estiveram juntos na Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, quando Scaloni era jogador e Messi um jovem promessa. Esse vínculo foi fundamental para o processo de reconstrução da equipe.
Scaloni pode se tornar o segundo técnico a vencer duas Copas consecutivas?
Sim. Se vencer a Copa de 2026, Scaloni igualará Vittorio Pozzo, que venceu com a Itália em 1934 e 1938.