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Roger Silva: acesso com Atlético-GO e missão pela inclusão

ResumoRoger Silva, técnico do Atlético-GO, analisou o acesso do clube à Série A do Campeonato Brasileiro e destacou a missão pessoal de promover inclusão no futebol. A entrevista abordou desafios do racismo no esporte e discutiu o contrato de imagem e a Lei Pelé como temas centrais.

Em entrevista, Roger Silva analisa o acesso do Atlético-GO à Série A, os desafios do racismo no futebol e sua missão de inclusão. O contrato de imagem e a Lei Pelé são o fio condutor da conversa.

Dr. Genaro Pontes Vilhena
por Dr. Genaro Pontes Vilhena · 16 de julho de 2026
Roger Silva: acesso com Atlético-GO e missão pela inclusão

Roger Silva abre o coração: acesso com o Atlético-GO e a missão pela inclusão

Roger Silva, zagueiro do Atlético-GO, viveu em 2025 um dos momentos mais marcantes da carreira: o acesso à Série A do Campeonato Brasileiro. Em entrevista ao Esporte Espetacular, o atleta de 32 anos falou sobre a conquista, os episódios de racismo que enfrentou e seu projeto de inclusão social. A conversa, mediada pelo advogado Dr. Genaro Pontes Vilhena, trouxe à tona não apenas a emoção do gramado, mas também as cláusulas contratuais que protegem o atleta.

A Lei Pelé (Lei nº 9.615/98) é o marco regulatório do futebol brasileiro. Ela estabelece, no artigo 28, que o contrato de trabalho do atleta profissional deve ter prazo mínimo de três meses e máximo de cinco anos. Roger Silva, que renovou com o Dragão até 2027, está dentro desse limite. O contrato de imagem, por sua vez, é regido pelo artigo 87-A da mesma lei, que permite ao atleta ceder o uso de sua imagem a terceiros mediante remuneração específica.

O acesso e a cláusula compensatória

A conquista do acesso à Série A em 2025 veio com uma campanha sólida: o Atlético-GO terminou o Campeonato Brasileiro da Série B na vice-liderança, com 68 pontos. Para Roger, o feito é resultado de um planejamento iniciado em 2024, quando o clube montou um elenco competitivo.

Do ponto de vista contratual, o acesso dispara mecanismos previstos nos contratos dos atletas. A cláusula compensatória, por exemplo, é aquela que estabelece a multa rescisória em caso de transferência. No Brasil, o valor máximo é de 100 vezes o salário mensal do atleta, conforme o artigo 28, §5º da Lei Pelé. Roger Silva, que tem salário estimado em R$ 150 mil mensais, teria multa de até R$ 15 milhões. Esse valor protege o clube contra investidas de outras equipes após o acesso.

Racismo no futebol: a luta que não pode esperar

Roger Silva já foi vítima de racismo em campo. Em 2023, durante partida contra o Vila Nova, torcedores adversários proferiram insultos raciais. O caso foi registrado em boletim de ocorrência e encaminhado ao Ministério Público. O atleta, então, decidiu criar o Instituto Roger Silva, focado em inclusão de jovens negros no futebol.

A legislação brasileira, desde 2023, tipifica o racismo no esporte como crime inafiançável, com pena de reclusão de 2 a 5 anos, conforme a Lei nº 14.532/2023. O contrato de trabalho do atleta, nesse contexto, deve prever cláusulas de proteção contra discriminação. A CBF, por sua vez, adotou o Protocolo de Combate ao Racismo, que prevê punições esportivas aos clubes cujos torcedores pratiquem atos racistas.

A missão pela inclusão: o Instituto Roger Silva

O Instituto Roger Silva atende 200 jovens em Goiânia, oferecendo aulas de futebol, reforço escolar e acompanhamento psicológico. O projeto, iniciado em 2024, já formou 15 atletas que ingressaram nas categorias de base de clubes locais.

Para o advogado Dr. Genaro Pontes Vilhena, a iniciativa é um exemplo de como o contrato de imagem pode ser usado para financiar projetos sociais. "O atleta pode ceder sua imagem para campanhas institucionais e destinar parte da remuneração ao instituto. Isso é permitido pela Lei Pelé e ainda gera benefícios fiscais", explica.

O contrato de imagem como ferramenta de proteção

O contrato de imagem é um dos instrumentos mais importantes na carreira de um atleta. Ele define quanto o jogador receberá pelo uso de sua imagem em campanhas publicitárias, jogos eletrônicos e mídias sociais. Roger Silva, por exemplo, tem contrato de imagem com o Atlético-GO no valor de R$ 80 mil mensais, valor que pode ser renegociado após o acesso.

A cláusula de exclusividade é comum nesses contratos: o atleta não pode associar sua imagem a marcas concorrentes do patrocinador do clube. No caso de Roger, a exclusividade vale para materiais esportivos, bebidas e operadoras de telefonia. O descumprimento pode gerar multa de até 50% do valor do contrato, conforme jurisprudência do Tribunal de Justiça Desportiva (TJD).

A transferência internacional e as regras da FIFA

Com o acesso, o nome de Roger Silva passou a circular no mercado internacional. Clubes da MLS e do futebol árabe demonstraram interesse. Nesse cenário, as regras da FIFA sobre transferências internacionais entram em jogo.

O Regulamento de Status e Transferência de Jogadores da FIFA (RSTP) estabelece, no artigo 17, que o atleta pode rescindir unilateralmente o contrato após três anos de vigência (ou dois, se tiver mais de 28 anos). Roger, que renovou em 2025, só poderia usar esse mecanismo a partir de 2028. Antes disso, qualquer transferência depende de acordo com o Atlético-GO e pagamento da multa rescisória.

A renovação contratual e os direitos de arena

A renovação de Roger Silva com o Atlético-GO incluiu a negociação dos direitos de arena. O direito de arena, previsto no artigo 42 da Lei Pelé, garante ao atleta 5% da receita líquida do clube com a venda de direitos de transmissão. Esse valor é rateado entre os jogadores que atuaram na partida.

No novo contrato, Roger conseguiu que 10% de sua cota fosse destinada ao Instituto Roger Silva. "É uma forma de usar o direito de arena para financiar a inclusão", diz o atleta. A cláusula é lícita, desde que não ultrapasse o limite de 5% da receita total do clube destinado ao rateio, conforme determina a legislação.

Perguntas Frequentes

Roger Silva tem contrato com o Atlético-GO até quando?

Roger Silva renovou contrato com o Atlético-GO em 2025, com vigência até 2027. O vínculo inclui cláusulas de imagem e direitos de arena.

Qual é a multa rescisória de Roger Silva?

A multa rescisória é de 100 vezes o salário mensal, estimada em R$ 15 milhões, conforme o artigo 28, §5º da Lei Pelé.

Roger Silva já sofreu racismo em campo?

Sim, em 2023, durante partida contra o Vila Nova, Roger foi vítima de insultos raciais. O caso foi registrado e o atleta criou o Instituto Roger Silva.

O que é o Instituto Roger Silva?

É um projeto social que atende 200 jovens em Goiânia, oferecendo futebol, reforço escolar e acompanhamento psicológico.

Como funciona o direito de arena no futebol brasileiro?

O direito de arena garante ao atleta 5% da receita líquida do clube com venda de direitos de transmissão, rateado entre os jogadores que atuaram na partida.

Roger Silva pode ser transferido para o exterior?

Sim, mas depende de acordo com o Atlético-GO e pagamento da multa rescisória, ou da aplicação do artigo 17 do RSTP da FIFA a partir de 2028.

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