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MP apura cobrança indevida da Caixa ao Corinthians por dívida da Arena

ResumoO Ministério Público de São Paulo investiga cobrança indevida da Caixa Econômica Federal ao Corinthians no financiamento da Neo Química Arena. A divergência nos cálculos atinge R$ 255,75 milhões, valor que pode configurar erro contratual. A apuração busca esclarecer a legalidade dos encargos aplicados pela Caixa no acordo firmado para a construção do estádio.

O Ministério Público de São Paulo apura possível cobrança indevida da Caixa Econômica Federal ao Corinthians no financiamento da Neo Química Arena. Divergência nos cálculos chega a R$ 255,75 milhões.

Berenice Lustosa Caminha
por Berenice Lustosa Caminha · 02 de setembro de 2026
MP apura cobrança indevida da Caixa ao Corinthians por dívida da Arena

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) instaurou procedimento para apurar possível cobrança indevida da Caixa Econômica Federal ao Corinthians no financiamento da Neo Química Arena. A investigação foi aberta após representação que aponta divergências de aproximadamente R$ 255,75 milhões nos cálculos da dívida do estádio.

A apuração está sob responsabilidade do promotor Cássio Roberto Conserino, que determinou perícia técnica para verificar a consistência dos valores cobrados. O procedimento tem caráter administrativo, não criminal, mas pode servir de base para desdobramentos futuros se forem constatadas irregularidades.

A representação foi elaborada a partir de informações públicas sobre o financiamento. O autor, Anísio Costa Castelo Branco, que se apresenta como perito criminal investigador, aponta inconsistências nos cálculos da instituição financeira durante a cobrança judicial, especialmente na evolução do saldo devedor e na aplicação de encargos contratuais.

Em entrevista à Record, o promotor Cássio Conserino afirmou que as taxas de juros cobradas pela Caixa sobre parcelas em atraso variavam entre 19% e quase 450% ao mês, sem critério uniforme. "Tem que mostrar quanto de juros eles estão cobrando nas parcelas em atraso, porque eu encontrei juros que variam de 19% ao mês a quase 450% ao mês. Não tem padrão nenhum", declarou.

Em agosto de 2019, a Caixa cobrou judicialmente a dívida e atribuiu ao débito o valor de R$ 536,09 milhões. Segundo a perícia encaminhada ao MP, o saldo devedor do clube na época era de R$ 280,3 milhões, diferença de R$ 255,75 milhões. O promotor levantou a hipótese de o financiamento já estar quitado: "Pela perícia encaminhada ao Ministério Público pelo representante, aquele documento reflete um pagamento a mais. A Arena já estaria quitada por conta desse pressuposto matemático equivocado ocorrido em 2019".

Atualmente, a dívida é considerada por Corinthians e Caixa em torno de R$ 640 milhões. Se a perícia confirmar as divergências, a investigação pode abrir nova frente de discussão jurídica sobre o financiamento, um dos principais passivos do clube.

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