Guerra de poder no futebol mundial: entenda o manual
Manual de instruções para entender a guerra de poder no futebol mundial
Uma guerra de poder lança sombras sobre o futebol mundial. O presidente da Fifa, Gianni Infantino, pressionado, viu frustradas suas esperanças de um período de reflexão após denunciar um "esforço orquestrado e contínuo" para minar sua gestão. Nesta segunda-feira (10), três confederações atacaram o dirigente com firmeza.
O que é a guerra de poder no futebol mundial?
A guerra de poder no futebol mundial é o confronto entre Gianni Infantino, presidente da Fifa, e as confederações da Uefa (Europa), Concacaf (América do Norte, América Central e Caribe) e AFC (Ásia). Elas assinaram uma carta conjunta, afirmando que "a liderança no futebol não é uma posse" e que "quando a confiança é rompida por meio do engano", o dever foi abandonado.
Por que Infantino está no centro da crise?
Há mais de uma semana, Infantino desistiu de seu plano de obter investimento privado para a Fifa Forward Enterprise (FFE), uma nova subsidiária comercial que seria responsável pela gestão do aspecto comercial das Copas do Mundo. A desistência, porém, não aplacou a rebelião.
O apoio que Infantino ainda tem
Os dez anos no poder de Infantino e o aumento do financiamento para as 211 associações-membro deram frutos. A Confederação Africana de Futebol (CAF), cujo um dos membros mais proeminentes, o Marrocos, é coanfitrião da Copa do Mundo de 2030 junto com Espanha e Portugal, está ao seu lado. A Conmebol (América do Sul) também é favorável, embora tenha criticado a forma como o plano de privatização foi concebido e gerido.
Várias associações nacionais se distanciaram de suas confederações e expressaram apoio ao dirigente ítalo-suíço. Entre elas, um dos coanfitriões do Mundial de 2026, o México, da Concacaf, além de Kuwait e Catar, da AFC.
O boicote da Uefa e o cenário de setembro
A Uefa lidera a rebelião, seguida pela Concacaf e pela AFC. A ameaça da confederação europeia de boicotar todas as competições da Fifa, incluindo as Copas do Mundo masculina e feminina, é vista como o fator que forçou Infantino a pedir "desculpas". No entanto, a entidade reiterou seu boicote no dia seguinte ao "apoio total" dos principais dirigentes da Fifa a Infantino. O boicote enfrentará seu primeiro teste em setembro, quando a Polônia sediará a Copa do Mundo Feminina Sub-20.
Quem quer a saída de Infantino?
Alguns dos opositores mais ferrenhos de Infantino, a Federação Norueguesa de Futebol (NFF) e sua presidente, Lise Klaveness, pediram a renúncia de Infantino na última sexta-feira. Além da Noruega, outras federações nacionais se mostraram contrárias à continuidade do dirigente, entre elas as de Dinamarca, Finlândia, Suécia, Sérvia e País de Gales.
A popularidade de Klaveness
O que contribui para a popularidade crescente de Klaveness é o fato de os dois cargos mais poderosos do esporte mundial virem a ser ocupados por mulheres, depois que Kirsty Coventry foi eleita presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI) no ano passado.
Eleição na Fifa: quando e como desafiar Infantino
As eleições à presidência da Fifa, nas quais Infantino tentará um quarto e último mandato de quatro anos, serão realizadas durante o Congresso da entidade, em 18 de março de 2027, em Rabat, no Marrocos. O prazo para a apresentação de candidaturas é 18 de novembro e, até agora, ninguém se postulou a enfrentar Infantino.
A história mostra que é quase impossível desbancar um presidente em exercício. O último a conseguir tal feito foi o brasileiro João Havelange, que derrotou o inglês Stanley Rous em 1974.
Caminhos para derrubar Infantino antes de 2027
Se os opositores quiserem que Infantino caia mais cedo, existem outras possibilidades. Uma moção de censura pode ser apresentada. Isso exige 20% das associações-membro (43) a solicitem, o que desencadearia a convocação de um Congresso extraordinário da Fifa.
Possíveis candidatos na disputa
O presidente da Concacaf, Victor Montagliani, anteriormente próximo de Infantino, se distanciou e é mais um possível candidato. Salman bin Ibrahim al-Khalifa, presidente da AFC, concorreu para substituir Joseph Blatter em 2016, mas terminou em segundo lugar, atrás de Infantino, no segundo turno da votação (115 a 88). O dirigente de 60 anos, que comanda o futebol asiático desde 2013 e cujo quarto mandato termina no ano que vem, pode pensar em uma segunda tentativa.
Perguntas Frequentes
O que é a Fifa Forward Enterprise (FFE)?
É uma subsidiária comercial que Infantino planejava criar para gerir o aspecto comercial das Copas do Mundo, mas o plano foi abandonado após a crise.
Quando será a eleição para presidente da Fifa?
A eleição será em 18 de março de 2027, durante o Congresso da entidade, em Rabat, no Marrocos.
Quem pode se candidatar contra Infantino?
O prazo para candidaturas é 18 de novembro. Até agora, ninguém se postulou, mas Victor Montagliani e Salman bin Ibrahim al-Khalifa são possíveis nomes.
O que é preciso para uma moção de censura?
É preciso que 20% das associações-membro (43) solicitem, o que desencadearia um Congresso extraordinário da Fifa.
Qual é o papel da Uefa na crise?
A Uefa lidera a rebelião e ameaça boicotar todas as competições da Fifa, incluindo as Copas do Mundo masculina e feminina.