# Livro celebra Segunda Academia do Palmeiras: futebol que não existe mais

> O livro de Matheus Trunk celebra a Segunda Academia do Palmeiras, geração dos anos 1970 que conquistou Campeonatos Paulistas e Brasileiros. A obra documenta um futebol de posse de bola, criatividade e menos atletismo, contrastando com o jogo atual, marcado por intensidade física e táticas rígidas. A publicação resgata a memória de um período histórico do clube.

*Justiça Desportiva · Futebol · 04 de setembro de 2026 · Solange Maravilha Brito*

Livro de Matheus Trunk celebra a Segunda Academia do Palmeiras, geração dos anos 1970 que venceu Paulistas e Brasileiros. Entenda o que mudou no futebol desde então.

O Palmeiras que encantou o Brasil no início dos anos 1970 ganhou um registro definitivo. O jornalista Matheus Trunk lançou, em 2026, o livro "Fragmentos de um sonho - A Segunda Academia do Palmeiras e o Torneio Ramón de Carranza", pela editora Letras do Brasil. Em entrevista exclusiva à Gazeta Esportiva, o autor explica que a obra não trata apenas de títulos, mas de um futebol que, mais de cinco décadas depois, parece pertencer a outro tempo.

A Segunda Academia, formada sob o comando de Oswaldo Brandão, tinha uma escalação que virou referência: Leão; Eurico, Luís Pereira, Alfredo Mostarda e Zeca; Dudu e Ademir da Guia; Edu, Leivinha, César e Nei. Entre 1972 e 1974, o time conquistou dois Campeonatos Brasileiros, dois Paulistas e o Ramón de Carranza. O diferencial, segundo Trunk, estava na convivência: os jogadores atuaram juntos por anos, o que criava um entrosamento raro. "Cada um sabia o problema do outro", diz o autor, citando a camaradagem do grupo.

A relação com o clube também era distinta. Ademir da Guia passou praticamente toda a carreira no Palmeiras, e a camisa não tinha patrocinador. "Era outra coisa", afirma Trunk. Os salários, mesmo de grandes clubes, eram baixos: César, artilheiro da geração, ganharia hoje entre R$ 18 mil e R$ 20 mil, segundo estimativa do autor. O calendário priorizava os estaduais, e a Libertadores "ninguém ligava muito". A estrutura era precária, com medicina esportiva menos desenvolvida e carreiras mais curtas, como a de Leivinha, que parou aos 29 anos após cirurgias no joelho.

O livro também resgata a importância do Torneio Ramón de Carranza, disputado em Cádis, na Espanha, que reunia quatro equipes e cuja taça, de 1,71 metro, ficou conhecida como "a taça das taças". O Palmeiras participou de seis edições e venceu em 1974 e 1975, eliminando o Barcelona de Cruyff na primeira conquista. Para Trunk, a permanência da Segunda Academia na memória do torcedor se explica pela combinação de talento, convivência e identificação, elementos que o futebol atual, mais profissional e veloz, já não reproduz.

O desdobramento natural é a pergunta: o que restou desse modelo no futebol de hoje? A resposta, para o autor, está na própria obra, que convida o leitor a comparar as duas épocas. história do Palmeiras futebol anos 70

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