Amaral, campeão da Série D pelo Pantera, troca gramados por projeto social no Pará
Cleyton Amaral, o Amaralzinho, ex-volante que marcou época no futebol do Norte, pendurou as chuteiras aos 37 anos, após 17 anos de carreira profissional. O campeão brasileiro da Série D pelo São Raimundo-PA em 2009 agora dedica a rotina à formação de crianças e adolescentes em Castanhal, sua cidade natal, no Pará.
Há cerca de três anos, Amaral idealizou e coordena o Projeto Social Amaral 05 Esporte para Todos, que usa o futebol como ferramenta de inclusão, disciplina e transformação social. A iniciativa atende mais de 120 jovens; com a parceria da 55 Soccer Academy, o número de participantes assistidos ultrapassa 170 alunos. "Nosso objetivo é garantir que crianças e adolescentes, independentemente de suas dificuldades ou limitações, tenham a oportunidade de participar, competir, aprender e vivenciar o futebol", destaca Amaral.
A bagagem que ele transmite aos novos talentos foi construída em quase duas décadas de futebol profissional. O ex-volante passou por Grêmio Atlético Sampaio (GAS-RR), América-AM, São Raimundo-AM, Nacional-AM, Manaus FC, Princesa do Solimões e Trem-AP. No currículo, além da Série D de 2009 com o Pantera de Santarém, soma o acesso à Série C com o vice-campeonato nacional pelo América-AM em 2010, o bicampeonato Amazonense pelo Manaus (2017 e 2018) e o título Amapaense pelo Trem em 2022.
Entre as lembranças dos gramados, um confronto contra o Santos, pela Copa do Brasil, quando defendia o Princesa do Solimões, ficou marcado. "Na Arena da Amazônia, perdemos por 2 a 1. No jogo da volta, na Vila Belmiro, fomos derrotados por 4 a 2. Enfrentamos grandes jogadores da época, como Geuvânio e Lucas Lima. Foi um dia épico", relembra.
Hoje, a visão de Amaral sobre o esporte vai além da busca por títulos ou revelação de atletas de alto rendimento. Essa filosofia também é aplicada na Liga Independente de Base Fut 7 (LIB), projeto que ele ajuda a coordenar em Castanhal com os professores Ivaldo Barata, Breno, Paulo e Rubens. A LIB tem regulamento adaptado para garantir que todos os inscritos joguem de forma efetiva, acolhendo atletas iniciantes, crianças autistas, jovens com dificuldades de desenvolvimento motor e crianças em situação de obesidade.
"A proposta da LIB é fortalecer escolinhas, professores e projetos locais, criando competições organizadas e acessíveis. Aquela criança que está começando ou que possui alguma dificuldade também terá seu espaço garantido dentro de campo", explica.
Para o eterno campeão do São Raimundo-PA, a principal vitória hoje não é definida pelo placar, mas pelo impacto social de suas ações. "Depois de uma vida inteira tentando vencer partidas dentro de campo, disputo hoje um campeonato ainda maior: o de transformar vidas por meio do futebol", conclui.