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Itália retira apoio a Infantino e ele perde aliados

A Federação Italiana de Futebol (FIGC) retirou o apoio à candidatura de Gianni Infantino para a presidência da Fifa nas eleições programadas para março de 2027. A entidade se junta ao posicionamento da Uefa, principal opositora do dirigente suíço. A decisão foi anunciada em comunicado nesta quarta-feira, com o presidente da Itália, Giovanni Malagò, afirmando que continuará trabalhando ao lado da Uefa e de outras federações europeias para promover um futebol mais solidário.

"Continuaremos trabalhando ao lado da UEFA e das demais federações europeias para promover uma visão do futebol baseada em mérito, solidariedade, sustentabilidade e no papel central dos torcedores", disse Malagò. "Nós nos identificamos com um modelo baseado no diálogo, na escuta e na responsabilidade compartilhada, que até agora permitiu ao futebol crescer e inovar, ao mesmo tempo em que preserva seus princípios fundamentais."

A saída da Itália ocorre em meio ao desgaste de Infantino desde o anúncio da criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), empresa que administraria as atividades comerciais da entidade e atrairia investidores externos. O projeto prometia gerar uma receita de US$ 10 bilhões (cerca de R$ 51,4 bilhões na cotação atual) para financiar o desenvolvimento do futebol mundial, mas acabou sendo abandonado diante das críticas recebidas.

Além da Itália, as federações de Inglaterra, País de Gales, Irlanda, Escócia, Finlândia, Noruega, Sérvia, Estados Unidos e Canadá já retiraram apoio à candidatura de Infantino. A Uefa, Concacaf e AFC também têm se posicionado de forma contrária ao atual presidente da Fifa.

Na contramão desse movimento, a Associação do Futebol Argentino (AFA) divulgou uma carta de apoio ao mandatário da Fifa, defendendo sua permanência no cargo. "Diante da proximidade do próximo Congresso da FIFA, a Associação que tenho a honra de presidir acredita firmemente e reafirma que o caminho a seguir é continuar trabalhando sob sua liderança, a fim de prosseguir desenvolvendo um futebol melhor e ainda mais inclusivo", afirmou Claudio Tapia, presidente da AFA.

O camaronês Samuel Eto'o, atual presidente da Federação Camaronesa de Futebol e campeão da Liga dos Campeões por Barcelona e Inter de Milão, também saiu em defesa de Infantino. "Não acho que o presidente Gianni Infantino tenha feito nada de errado", declarou o ex-jogador à CNN. "Acho que tudo isso está acontecendo porque as eleições estão se aproximando."

Já a Conmebol, entidade máxima do futebol sul-americano, solicitou à Fifa "informações adicionais e esclarecimentos" sobre sua proposta de abertura a investimentos privados. "A Conmebol solicitou à Fifa informações adicionais e esclarecimentos sobre vários aspectos relacionados ao escopo, à estrutura, à governança e ao impacto potencial do projeto", afirmou a organização em um comunicado. A Confederação Sul-Americana, primeira confederação a anunciar apoio à reeleição de Infantino em 2027, enfatizou que "o futebol vem em primeiro lugar" ao justificar seu pedido de consultas.

Para quem acompanha a política da Fifa, o cenário indica que a reeleição de Infantino, antes dada como certa, agora enfrenta uma frente europeia unificada. A perda de aliados históricos como a Itália e a Inglaterra pode influenciar outras federações menores, que muitas vezes decidem seu voto com base no alinhamento das confederações continentais. O próximo passo do dirigente suíço será apresentar uma nova proposta de governança que responda às críticas sobre transparência e participação, ou correr o risco de ver a oposição crescer ainda mais até o Congresso de 2027.

Nayara Pilatti Rondon
Jornalista de esportes olímpicos e modalidades amadoras
Cobre vôlei, atletismo e judô; mostra a justiça desportiva além do futebol.
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