Infantino vai do céu ao inferno em apenas duas semanas
Há duas semanas, Gianni Infantino celebrava o sucesso da Copa do Mundo na América do Norte. Agora, enfrenta a maior crise de sua gestão à frente da Fifa após o fracasso de seu projeto de investimento privado em competições.
Infantino vai do céu ao inferno em apenas duas semanas
Gianni Infantino, presidente da Fifa, viveu uma das maiores reviravoltas da história recente do futebol mundial. Há duas semanas, ele celebrava o sucesso da Copa do Mundo na América do Norte. Hoje, enfrenta o momento mais difícil de sua gestão, após o fracasso de seu projeto de investimento privado em competições. Como isso aconteceu tão rápido? Entenda os bastidores dessa queda.
Do auge da Copa do Mundo à crise na Fifa
Nada indicava a grave crise de liderança quando Infantino correu para retirar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de perto dos jogadores espanhóis antes de erguerem a Copa do Mundo, no dia 19 de julho, em East Rutherford, Nova Jersey. Durante o torneio, o dirigente se mostrou imune às críticas, se sentiu intocável e desfrutou do que descreveu como "a melhor Copa do Mundo da história".
No mínimo, foi a mais lucrativa. O torneio gerou quase US$ 15 bilhões (R$ 76 bilhões na cotação atual) em receita, atraiu 6,6 milhões de espectadores aos estádios e registrou recordes de audiência pela televisão.
Mas a euforia durou pouco. O dirigente ítalo-suíço de 56 anos agora enfrenta mais oposição do que nunca. O motivo: a necessidade de abandonar um plano ambicioso de abrir a Copa do Mundo e outras competições da Fifa para o investimento privado, uma linha vermelha para grande parte do mundo do futebol.
O projeto que derrubou Infantino
O anúncio do projeto ocorreu na última terça-feira (28). Bastaram três dias para o fracasso, devido à falta de apoio. A rapidez da queda chamou a atenção de especialistas.
"Acho que nunca vimos antes uma queda tão rápida de um dirigente esportivo", disse à AFP o irlandês Michael Payne, ex-diretor de marketing do Comitê Olímpico Internacional (COI).
"Há apenas uma semana, Infantino estava no auge de sua glória. Hoje, estamos nos perguntando se ele chegará ao fim do mês. Como chegou a esse ponto? Por um orgulho desmedido!", acrescentou.
Uma década de estabilidade, poucos dias de crise
Antes deste episódio, Infantino havia resistido com sucesso a diversas críticas. Ele lidou com questionamentos sobre a organização da Copa do Mundo de 2018 na Rússia e da edição de 2022 no Catar, a concessão do direito de sediar o torneio de 2034 à Arábia Saudita, a expansão de 32 para 48 seleções e a reformulação do Mundial de Clubes.
Na Copa de 2026, também enfrentou polêmicas: a proximidade com Trump, as controversas "pausas para hidratação" durante os jogos e o chamado "caso Balogun", que envolveu a revogação da suspensão de um jogador da seleção dos Estados Unidos após um telefonema da Casa Branca.
Até mesmo a ideia de expandir a Copa do Mundo para 64 seleções estava longe de ser unanimidade. Ainda assim, parecia no caminho certo para obter apoio: segundo o jornal britânico The Guardian, Infantino tinha o respaldo de 200 das 211 federações.
A oposição cresce: Uefa e Concacaf pressionam
O cenário mudou drasticamente em poucos dias. Segundo a imprensa britânica, membros da Uefa e vários representantes da Concacaf agora cogitam pressionar por uma renúncia ou por uma moção de censura.
A Uefa, que reúne 55 federações, tem uma carta na manga: a ameaça de boicote. A medida foi adotada "por unanimidade" nesta semana, para barrar o plano de Infantino.
Para Terrence Burns, ex-chefe de estratégia de marketing de duas candidaturas à Copa do Mundo, a posição de Infantino é agora "precária", mas não irreversível, mesmo que alguém decida se candidatar para enfrentá-lo nas eleições da Fifa em março de 2027.
Eleições de 2027: quem pode desafiar Infantino?
Burns ressalta que, na votação para a presidência, as confederações não se manifestam em bloco. Cada federação mantém seu poder de decisão.
Nesse contexto, ele acredita que a África e a Oceania poderiam "fazer pender a balança", uma vez que têm sido menos críticas à gestão de Infantino e incluem federações que receberam bem as promessas de mais recursos para o desenvolvimento de seu futebol.
"Não houve adversário em 2019 e em 2023, já que candidatos sérios não concorrem contra alguém imbatível. Acredito que esse cálculo mudou nesta semana, antes do prazo de 18 de novembro para o registro de candidaturas", argumenta Burns.
Segundo diversos veículos de imprensa especializados, o canadense Victor Montagliani, presidente da Concacaf e vice-presidente da Fifa, poderia se candidatar e contaria com o apoio da Uefa.
Críticas à transparência e o futuro de Infantino
Como crítica à gestão pouco transparente de Infantino, tanto a Uefa como a Concacaf foram firmes nesta semana, apontando a necessidade de mudanças profundas na Fifa.
A avaliação de Michael Payne é dura: "A liderança dele se tornou radioativa e, se ele permanecer, haverá uma guerra civil total no futebol mundial, com cisões nas principais nações e boicotes. Acabou".
A aposta suspeita deixa rastro nos dados; a integridade se protege antes do jogo, não depois. No caso da Fifa, a crise institucional também pede ação preventiva.
O que esperar das próximas semanas
O prazo de 18 de novembro para o registro de candidaturas é o próximo marco. Até lá, a pressão sobre Infantino deve crescer, com a possibilidade de uma candidatura de Montagliani e o apoio explícito da Uefa.
A África e a Oceania, por sua vez, podem ser decisivas. Se mantiverem o apoio a Infantino, a crise pode ser contornada. Se mudarem de lado, o cenário se torna ainda mais adverso.
A situação é fluida, mas uma coisa é certa: a gestão de Infantino, que parecia intocável após a Copa do Mundo, agora enfrenta seu maior teste. A decisão final caberá às federações, que têm até novembro para definir o futuro da Fifa.
Perguntas Frequentes
Por que Infantino enfrenta uma crise agora?
A crise começou após o fracasso de seu projeto de abrir a Copa do Mundo e outras competições da Fifa ao investimento privado. O plano foi anunciado na terça-feira (28) e fracassou três dias depois, devido à falta de apoio.
Quem é Victor Montagliani?
Victor Montagliani é o presidente da Concacaf e vice-presidente da Fifa. Segundo a imprensa especializada, ele poderia se candidatar à presidência da Fifa e contaria com o apoio da Uefa.
Quando serão as próximas eleições da Fifa?
As eleições da Fifa estão previstas para março de 2027. O prazo para o registro de candidaturas é 18 de novembro.
O que a Uefa pode fazer contra Infantino?
A Uefa, que reúne 55 federações, adotou "por unanimidade" a ameaça de boicote para barrar o plano de Infantino. Também pode pressionar por uma renúncia ou moção de censura.
Infantino pode perder a presidência?
A posição de Infantino é descrita como "precária", mas não irreversível. A decisão caberá às federações, que votam individualmente, e a África e a Oceania podem ser decisivas.