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Infantino recua com plano, mas ainda sofre pressão da Uefa

Infantino recua com plano, mas ainda sofre pressão da Uefa

O pedido de desculpas não aliviou a pressão sobre Gianni Infantino: a Uefa manteve, nesta quinta-feira (6), a ameaça de boicote às competições da Fifa, e sua equivalente sul-americana (Conmebol), próxima do dirigente, questionou "as ações unilaterais reiteradas" da entidade máxima do futebol.

Resposta direta: A Uefa mantém a ameaça de boicote às competições da Fifa, incluindo a Copa do Mundo, após o abandono do plano de abrir a entidade a investidores privados. A Conmebol questionou as ações unilaterais reiteradas, sem citar Infantino diretamente. O dirigente, único candidato declarado, busca a reeleição em março de 2027, precisando da maioria dos 211 votos dos membros.

Pressão europeia segue após recuo

O polêmico projeto foi oficialmente abandonado, mas a Uefa não está recuando. Nesta quinta-feira, a entidade europeia reiterou sua ameaça de boicote às competições da Fifa, incluindo a Copa do Mundo.

Além da retirada do projeto, uma exigência já atendida, a poderosa confederação pede "garantias de que tais tentativas de desfigurar o futebol dessa maneira nunca mais voltem a acontecer".

"Estas condições não foram cumpridas", considerou a Uefa em comunicado enviado à AFP, no qual reafirmou ter "perdido a confiança na presidência de Gianni Infantino".

A Uefa também pode contar com o apoio da Associação Europeia de Clubes (EFC), cujo presidente é o influente Nasser al-Khelaïfi, também presidente do Paris Saint-Germain.

Várias federações europeias (Finlândia, Sérvia, Suécia, País de Gales...) já retiraram publicamente o apoio a Infantino na eleição, e espera-se que as principais também se posicionem em breve.

Conmebol cautelosa, mas crítica

A Conmebol, primeira confederação a anunciar apoio à reeleição de Infantino, tem sido muito cautelosa desde o início da crise.

A entidade sul-americana conta com apenas dez membros filiados à Fifa, embora inclua alguns emblemáticos, como Brasil e Argentina.

Nesta quinta-feira, sem mencionar diretamente Infantino, a Conmebol manifestou "preocupação unânime em relação a ações unilaterais recorrentes, tomadas sem recorrer ao diálogo, nem aos mecanismos institucionais estabelecidos para tratar este tipo de situações".

Apesar das críticas, a confederação defendeu o respeito à integridade institucional e rejeitou qualquer iniciativa para destituir o dirigente.

Concacaf e outras confederações

A Concacaf, que reúne 35 federações filiadas à FIFA da América do Norte, América Central e Caribe, se juntou à Uefa ao criticar a iniciativa de privatização.

Após expressar sua "profunda preocupação com a falta de um devido processo em torno desta proposta", a Concacaf exigiu "maior transparência e uma governança adequada" da Fifa.

Seu presidente, Victor Montagliani, é apontado por diversos veículos de imprensa como um possível adversário de Infantino nas eleições.

Com seus 54 membros filiados à Fifa, o maior número depois da Uefa, a Confederação Africana de Futebol (CAF) é uma aliada fundamental para Infantino. O continente africano é um dos principais beneficiários dos programas de desenvolvimento do futebol.

"A África deve ter o cuidado de não participar do linchamento público de Infantino. Ele contribuiu muito para o futebol africano", disse, em publicação no X nesta quinta-feira o ministro do Esporte da África do Sul, Gayton McKenzie.

O presidente da Fifa também pode contar com o apoio de Fouzi Lekjaa, presidente da poderosa federação marroquina, com quem apareceu na quarta-feira durante um jogo da Copa Africana de Nações feminina.

A Confederação Asiática de Futebol (AFC), que conta com 46 membros filiados à Fifa, não se manifestou claramente contra Infantino, mas considerou que o projeto "evidenciou as fragilidades fundamentais dos processos de consulta e tomada de decisão" e pediu "uma revisão urgente da estrutura de governança".

Mesmo assim, o presidente contou com o apoio de várias federações da Ásia que elogiavam o "mérito" da proposta da Fifa e a "sabedoria" de abandoná-la.

Em contrapartida, o presidente da federação jordaniana, o príncipe Ali bin Al-Hussein, candidato derrotado à presidência da Fifa em 2016, acusou Infantino de "chantagem".

A Confederação de Futebol da Oceania (OFC), por sua vez, não adotou uma postura mais combativa e se limitou a convidar suas 11 associações-membro a "estudar" a proposta e a "participar do processo de consulta" iniciado pela Fifa.

Cúpula da Fifa apoia Infantino

A cúpula da Fifa expressou "apoio total" ao dirigente ítalo-suíço durante uma reunião de emergência realizada na quarta-feira em Rabat, capital do Marrocos, ao mesmo tempo em que se desculpou pela polêmica gerada pelo projeto, já descartado.

Infantino não tem tido trégua desde o fracasso de seu plano de abrir a Fifa a investidores privados. No entanto, apoiado por seus aliados leais, ele está confiante de que será reeleito para mais um mandato de quatro anos nas eleições de março de 2027.

Único candidato declarado até o momento, Infantino precisa garantir a maioria dos 211 votos dos membros da Fifa para ser reeleito para o cargo que ocupa desde 2016.

Perguntas Frequentes

Por que a Uefa ameaça boicotar as competições da Fifa?

A Uefa perdeu a confiança na presidência de Gianni Infantino após o plano de abrir a Fifa a investidores privados, já descartado, e exige garantias de que tentativas semelhantes não voltem a ocorrer.

Qual é a posição da Conmebol sobre Infantino?

A Conmebol, primeira confederação a apoiar a reeleição de Infantino, manifestou preocupação com as ações unilaterais reiteradas, mas rejeitou qualquer iniciativa para destituir o dirigente.

Quem são os aliados de Infantino na Fifa?

A CAF, com 54 membros, é aliada fundamental, além de federações da Ásia e da África, como a do Marrocos. A cúpula da Fifa expressou apoio total ao dirigente.

Quando serão as eleições da Fifa?

As eleições para a presidência da Fifa estão marcadas para março de 2027, e Infantino é o único candidato declarado até o momento.

Berenice Lustosa Caminha
Especialista em integridade e apostas esportivas
Estuda manipulação de jogos e mercado de apostas; explica o que ameaça a lisura das partidas.
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