Federação do Egito faz queixa à Fifa contra árbitro de eliminação para a Argentina na Copa
Federação do Egito faz queixa à Fifa contra árbitro de eliminação para a Argentina na Copa
A Federação Egípcia de Futebol protocolou queixa formal na Fifa contra o árbitro da partida que eliminou o Egito da Copa do Mundo, diante da Argentina. O documento, entregue nesta quarta-feira (16), cita lances específicos e pede punição disciplinar. Entendo a insatisfação de quem vê o time ser eliminado com lances polêmicos. Mas, pela regra, nem tudo é erro de arbitragem.
A queixa alega que o árbitro errou ao não marcar pênalti em jogada na área argentina aos 30 minutos do segundo tempo. Também questiona a anulação de um gol egípcio por impedimento milimétrico, validado pelo VAR. A federação pede que a Fifa analise os lances com base no Código Disciplinar, artigos 11 e 12, que tratam de conduta antidesportiva e má administração do jogo.
O que o árbitro viu e o que a câmera mostra
A regra 12 da International Football Association Board (Ifab) diz que o árbitro só pode marcar pênalti se houver contato claro e deliberado. No lance questionado, o zagueiro argentino toca a bola antes de atingir o atacante egípcio. Pela regra, se o defensor toca a bola, não há infração. O que a câmera mostra é um toque sutil, mas a regra existe antes do lance, não depois.
Já o gol anulado por impedimento: a linha do VAR indicou que o atacante egípcio estava com o ombro à frente do último defensor. Pela regra 11, qualquer parte do corpo que joga a bola, exceto mãos e braços, conta para impedimento. O ombro está incluído. A decisão, portanto, é de avaliação técnica, não de erro de regra.
A diferença entre erro de regra e erro de avaliação
Erro de regra é quando o árbitro aplica a regra errada, por exemplo, validar um gol de mão. Erro de avaliação é quando ele interpreta um lance dentro das opções que a regra oferece. No caso do pênalti, o árbitro avaliou que o toque na bola precedeu o contato. É uma avaliação discutível, mas não ilegal. A queixa da federação egípcia mistura os dois conceitos.
O que a súmula registra e o efeito disciplinar
A súmula da partida, já enviada à Fifa, registra apenas um cartão amarelo para o jogador egípcio aos 40 minutos do segundo tempo. O árbitro não relatou nenhum incidente grave fora das quatro linhas. Isso enfraquece a tese de má administração do jogo. Se a Fifa abrir processo, o árbitro pode ser suspenso por até 10 partidas, conforme o artigo 12 do Código Disciplinar. Mas, sem relato na súmula, a chance é baixa.
Histórico de queixas na Fifa
A Fifa recebeu, nos últimos cinco anos, 23 queixas formais de federações contra árbitros em Copas do Mundo. Destas, apenas 3 resultaram em punição disciplinar. O caso mais recente foi em 2022, quando o árbitro foi suspenso por 4 jogos por erro grosseiro em lance de pênalti. A federação egípcia cita esse precedente na queixa.
Como funciona o processo disciplinar da Fifa contra árbitros
O que pode acontecer agora
A Fifa tem 30 dias para responder à queixa. O comitê disciplinar analisa as imagens, a súmula e o relatório do VAR. Se entender que houve erro de avaliação grave, pode suspender o árbitro. Mas isso é raro. Na maioria dos casos, a Fifa arquiva o processo e emite nota técnica esclarecendo os lances. A federação egípcia, porém, já adiantou que recorrerá ao Tribunal Arbitral do Esporte (TAS) se a resposta não for satisfatória.
Perguntas Frequentes
Por que a federação egípcia entrou com a queixa?
Por considerar que o árbitro errou em lances capitais, como pênalti não marcado e gol anulado, prejudicando a eliminação do Egito.
Qual a chance de o árbitro ser punido?
Baixa. Sem relato na súmula e com lances que cabem interpretação, a Fifa tende a arquivar o caso.
O que o Código Disciplinar da Fifa diz sobre isso?
Os artigos 11 e 12 tratam de conduta antidesportiva e má administração do jogo, com penas que vão de advertência a suspensão de até 10 partidas.
A queixa pode reverter o resultado do jogo?
Não. A Fifa não altera resultados de partidas após o término. A queixa visa apenas punição disciplinar ao árbitro.
O que o VAR mostrou nos lances?
No pênalti, o VAR confirmou que o defensor tocou a bola antes do contato. No impedimento, a linha indicou ombro à frente, validando a anulação.