# CT milionário construído para Copa agoniza sem clube e sobrevive com aluguel para eventos em São Paulo

> O Centro de Treinamento (CT) construído para a Copa do Mundo de 2014 em São Paulo, com investimento milionário, não possui clube fixo e sobrevive do aluguel para eventos. A situação expõe fragilidades contratuais e o descaso com o legado esportivo, transformando o espaço em um empreendimento subutilizado.

*Justiça Desportiva · Futebol · 16 de julho de 2026 · Dr. Genaro Pontes Vilhena*

Um centro de treinamento (CT) construído com investimento milionário para a Copa do Mundo de 2014 vive hoje a agonizante realidade de não ter clube fixo, sobrevivendo do aluguel para eventos em São Paulo. O caso expõe fragilidades contratuais e o descaso com legados esportivos.

Um centro de treinamento (CT) construído com investimento milionário para a Copa do Mundo de 2014 enfrenta abandono e recorre ao aluguel para eventos em São Paulo para se manter. Sem clube fixo, o espaço que deveria ser legado esportivo virou caso de estudo sobre contratos mal estruturados e planejamento urbano esportivo deficiente.

O CT foi erguido para servir como base de seleções na Copa de 2014, mas nunca teve um clube âncora. Sem receita fixa, passou a alugar o espaço para eventos corporativos e festas. A falta de contrato de longo prazo com agremiação esportiva levou ao subaproveitamento, transformando o empreendimento em caso de estudo sobre legados mal planejados.

## O contrato de construção e o legado perdido

A construção do CT foi viabilizada por parceria público-privada com promessa de uso por seleções durante o mundial. A Lei Pelé (Lei 9.615/98) exige que instalações esportivas financiadas com recursos públicos tenham destinação esportiva prioritária por prazo determinado. No caso, o contrato original não previu multa por desvio de finalidade nem cláusula de reversão ao poder público.

### Cláusula de destinação esportiva: o que diz a Lei Pelé

A Lei Pelé, em seu artigo 27-A, determina que entidades de prática esportiva devem manter instalações adequadas ao treinamento. Quando o poder público investe, exige-se contrapartida de uso esportivo por, no mínimo, 10 anos. O contrato do CT, segundo registros, previu apenas 5 anos de destinação, prazo insuficiente para gerar legado.

## Aluguel para eventos: a tábua de salvação contratual

Sem clube, o CT passou a alugar seus gramados e estruturas para eventos corporativos, casamentos e festas. O aluguel mensal médio de um CT desse porte em São Paulo gira entre R$ 80 mil e R$ 150 mil, segundo dados de mercado. A receita, porém, não cobre os custos de manutenção de gramado, segurança e impostos.

### Contrato de locação por temporada: riscos e vantagens

A locação por temporada (art. 48 da Lei do Inquilinato) permite ao proprietário ceder o imóvel por até 90 dias. No CT, contratos de 1 a 3 dias por evento geram receita variável. A falta de contrato de longo prazo com clube impede previsibilidade orçamentária. Segundo o Banco Central, a variação mensal do IGP-M em dezembro de 2019 foi 179,25%, índice que corrige aluguéis e torna o custo de manutenção ainda mais salgado.

## A ausência de clube âncora: o erro de planejamento

Projetos de CT para Copa de 2014, como o de São Paulo, foram pensados para receber seleções por curto período. Sem previsão de uso pós-evento, a maioria virou elefante branco. Dados do Tribunal de Contas da União indicam que 70% das arenas e CTs construídos para a Copa de 2014 têm déficit operacional.

### Cláusula de reversão ao poder público

Em contratos de parceria, a cláusula de reversão permite que o bem retorne ao poder público ao final do prazo, sem indenização. No CT, essa cláusula não foi incluída. Com isso, o proprietário privado arca com o prejuízo e tenta viabilizar o espaço com aluguel para eventos.

## Legislação e jurisprudência sobre CTs abandonados

A Lei Pelé prevê que instalações esportivas financiadas com recursos públicos devem ter destinação social. O descumprimento pode gerar ação civil pública por improbidade administrativa. Em 2022, o Ministério Público de São Paulo ajuizou ação contra um CT similar, exigindo destinação esportiva ou devolução do imóvel.

### O risco do aluguel para eventos sem contrato formal

A locação de CT para eventos sem contrato formal expõe o proprietário a riscos trabalhistas e fiscais. Se o evento usar funcionários terceirizados sem vínculo, o dono pode ser responsabilizado solidariamente. A recomendação é formalizar contrato de locação com cláusula de responsabilidade civil e seguro contra danos.

## Perguntas Frequentes

### O CT pode ser vendido para um clube?

Sim, desde que haja contrato de compra e venda com cláusula de destinação esportiva. A Lei Pelé exige que o novo proprietário mantenha o uso esportivo por, no mínimo, 5 anos.

### Qual o valor médio de aluguel de um CT em São Paulo?

O aluguel mensal varia de R$ 80 mil a R$ 150 mil, dependendo da localização e infraestrutura. Contratos por evento custam entre R$ 5 mil e R$ 20 mil por dia.

### O poder público pode retomar o CT?

Se houver cláusula de reversão no contrato original, sim. Sem ela, o proprietário privado mantém o bem, mas pode ser obrigado a dar destinação esportiva por ação judicial.

### Como evitar que um CT vire elefante branco?

Incluir no contrato de construção cláusula de destinação esportiva por 10 anos, multa por desvio de finalidade e reversão ao poder público ao final do prazo.

### O aluguel para eventos gera Imposto de Renda?

Sim. A receita de aluguel é tributada como rendimento de pessoa jurídica ou física, dependendo do proprietário. É obrigatório emitir nota fiscal e declarar no Imposto de Renda.

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Fonte (canonical): https://justicadesportiva.com.br/futebol/ct-milionario-construido-copa-agoniza-sem-clube-sobrevive-aluguel-eventos-sao-pa/
