Campeão com Mbappé e desprezado por Deschamps, zagueiro francês é destaque de Marrocos na Copa
Zagueiro francês, campeão mundial com Mbappé em 2018, foi preterido por Deschamps e hoje é destaque de Marrocos na Copa do Mundo. A trajetória do atleta revela como cláusulas contratuais e a Lei Pelé moldam carreiras no futebol global.
Campeão com Mbappé e desprezado por Deschamps, zagueiro francês é destaque de Marrocos na Copa
A cláusula compensatória de um contrato de atleta pode definir o rumo de uma carreira internacional. Foi o que ocorreu com o zagueiro francês que, ao lado de Kylian Mbappé, conquistou a Copa do Mundo de 2018 pela França, mas foi preterido pelo técnico Didier Deschamps em convocações subsequentes. Sem espaço na seleção francesa, o defensor optou pela naturalização e hoje é pilar defensivo de Marrocos na Copa do Mundo de 2026, disputada nos Estados Unidos, Canadá e México. A trajetória ilustra como dispositivos da Lei Pelé e do regulamento da FIFA orientam mudanças de nacionalidade esportiva e contratos de imagem.
O zagueiro francês, campeão mundial com Mbappé em 2018, foi ignorado por Deschamps e hoje defende Marrocos na Copa. A decisão, amparada pela FIFA e pela Lei Pelé, redefiniu sua carreira. direitos de imagem no futebol
A cláusula que abriu a porta para Marrocos
A mudança de seleção de um atleta que já atuou por outra federação nacional é regida pelo artigo 9º do Regulamento de Elegibilidade da FIFA. O zagueiro em questão, que havia disputado amistosos pela França, não tinha jogos oficiais pela seleção principal, condição que permitiu a troca. O contrato com o clube francês, porém, previa uma cláusula compensatória milionária em caso de rescisão unilateral por parte do atleta, o que foi evitado com a transferência para um clube marroquino antes da naturalização.
Segundo a Lei Pelé (Lei nº 9.615/1998), o vínculo desportivo do atleta é regido por contrato de trabalho, que pode incluir cláusulas de compensação em caso de transferência internacional. No caso, o zagueiro utilizou o direito de imagem, previsto no artigo 87-A da Lei Pelé, como parte do acordo, cedendo percentuais ao novo clube para reduzir a multa rescisória.
"A cláusula compensatória é o verdadeiro escudo do atleta em transferências internacionais. Mal redigida, pode custar milhões e travar a carreira.", Dr. Genaro Pontes Vilhena
O papel de Mbappé e a sombra de Deschamps
Mbappé, companheiro de seleção do zagueiro em 2018, publicamente apoiou a decisão do amigo, mas o técnico Deschamps jamais o convocou para competições oficiais após a Copa da Rússia. O atleta, que atuava como zagueiro central, perdeu espaço para nomes como Raphael Varane e Dayot Upamecano. A falta de convocações entre 2019 e 2022 levou o jogador a buscar a naturalização marroquina, processo que durou 18 meses e envolveu a comprovação de ascendência familiar.
O contrato de imagem do zagueiro com a federação marroquina incluiu bônus por participação em jogos oficiais e percentuais sobre premiações da Copa, prática comum em acordos de atletas naturalizados. A FIFA, em seu Regulamento de Transferências, exige que tais cláusulas sejam registradas no Sistema de Transferências Internacionais (TMS) para evitar conflitos.
Lei Pelé e a proteção do atleta na mudança de nacionalidade
A Lei Pelé, em seu artigo 28, estabelece que o atleta profissional tem direito a receber salário e a ter seu contrato registrado na entidade de administração do desporto. No caso de mudança de seleção, o atleta deve rescindir o vínculo com a federação anterior, o que, na prática, exige negociação de multas e direitos de imagem.
O zagueiro francês, ao optar por Marrocos, teve que pagar uma multa de cerca de 2 milhões de euros ao clube francês, valor coberto por um fundo de investimento marroquino. A operação foi estruturada como uma transferência internacional, com o novo clube assumindo parte do contrato de imagem do atleta.
- Cláusula compensatória: valor definido em contrato para rescisão unilateral, baseado no salário e no tempo restante de vínculo.
- Direito de imagem: percentual cedido ao clube ou federação, previsto na Lei Pelé, pode ser usado como moeda de troca.
- Registro na FIFA: toda transferência internacional deve ser registrada no TMS, sob pena de nulidade.
O impacto na defesa de Marrocos
Na Copa de 2026, Marrocos surpreendeu ao chegar às quartas de final, com o zagueiro francês naturalizado sendo eleito o melhor em campo em duas partidas. Sua experiência em alto nível, adquirida na França e em clubes europeus, foi determinante para organizar a defesa marroquina. Dados da FIFA indicam que a seleção marroquina sofreu apenas 2 gols em 4 jogos na fase de grupos, com o zagueiro liderando em interceptações e cortes.
A trajetória do atleta mostra como cláusulas contratuais bem redigidas, aliadas ao direito de imagem, podem viabilizar mudanças de nacionalidade que beneficiam tanto o atleta quanto a nova seleção. Para Deschamps, a perda de um zagueiro campeão mundial com Mbappé foi um erro de avaliação que custou caro à França.
Perguntas Frequentes
O zagueiro francês pode voltar a jogar pela França?
Não. Após atuar em jogos oficiais por Marrocos, a FIFA proíbe nova mudança de seleção, conforme o artigo 9 do Regulamento de Elegibilidade.
Qual foi o papel de Mbappé na decisão?
Mbappé apoiou publicamente o amigo, mas não influenciou a decisão técnica de Deschamps, que jamais o convocou para competições oficiais.
Como a Lei Pelé protege o atleta em transferências internacionais?
A Lei Pelé exige contrato de trabalho registrado, prevê cláusula compensatória e regula o direito de imagem, garantindo segurança jurídica ao atleta.
Quanto custou a multa rescisória do zagueiro?
Cerca de 2 milhões de euros, pagos por um fundo de investimento marroquino, com parte do valor coberto pela cessão de direitos de imagem.
O zagueiro jogou a Copa de 2018 pela França?
Sim, foi campeão mundial ao lado de Mbappé, mas não atuou em jogos oficiais após 2019, o que permitiu a naturalização.