Artur Jorge faz novos testes, e Cruzeiro goleia em jogos-treino na Toca da Raposa
Artur Jorge comandou dois jogos-treino na Toca da Raposa, testando novas peças e esquemas. O Cruzeiro goleou ambos os adversários, mas o que realmente importa é o que os testes revelaram sobre a espinha dorsal do time para a temporada.
Artur Jorge comandou dois jogos-treino na Toca da Raposa nesta quarta-feira, e o Cruzeiro goleou ambos os adversários. O foco, porém, não estava no placar. O técnico português aproveitou a atividade para testar novas formações e observar o comportamento de atletas que ainda buscam espaço no elenco principal.
No primeiro jogo, contra o time sub-20 do próprio clube, o Cruzeiro venceu por 5 a 0. Artur Jorge escalou uma equipe mista, com três volantes e dois atacantes abertos. O segundo confronto, contra uma equipe convidada da região, terminou em 4 a 1. Desta vez, o treinador optou por um 4-4-2 com linhas mais compactas.
A goleada em si não é o indicador mais relevante. O que chama a atenção é a insistência de Artur Jorge em variar a estrutura defensiva. No primeiro tempo do primeiro jogo, a linha de quatro atrás foi mantida, mas os laterais avançavam simultaneamente. No segundo jogo, apenas um lateral subia por vez. São ajustes que, em partidas oficiais, definem o equilíbrio entre ataque e defesa.
Outro ponto observado foi a utilização de Matheus Pereira como falso ponta-esquerda. O camisa 10 recebeu liberdade para flutuar por dentro, abrindo espaço para a subida do lateral. A cláusula contratual de Pereira, segundo fontes do clube, não prevê bônus por posição específica, mas sim por participação em gols, o que torna a função mais versátil vantajosa para ambas as partes.
Do ponto de vista jurídico, os jogos-treino têm implicações contratuais que muitos ignoram. Atletas em final de contrato ou com cláusulas de desempenho vinculadas a minutos em campo podem ver nesses amistosos uma oportunidade de atingir metas. O contrato de trabalho do atleta profissional, regido pela Lei Pelé (Lei nº 9.615/1998), permite que o clube exija a participação em atividades preparatórias, desde que não configurem risco excessivo à integridade física. A cláusula compensatória, prevista no artigo 28 da Lei Pelé, não incide sobre jogos-treino, mas a exposição a lesões pode gerar discussões sobre responsabilidade civil.
No segundo jogo, Artur Jorge promoveu a estreia de um volante recém-contratado. O atleta, que ainda não teve o registro publicado no BID da CBF, atuou com autorização especial da diretoria. A situação é permitida em atividades internas, mas, para partidas oficiais, exige o cumprimento do artigo 20 da Lei Pelé, que trata do registro obrigatório. Qualquer lesão nesse contexto poderia gerar litígio trabalhista, já que o vínculo desportivo não estava formalizado.
A goleada, portanto, serve como termômetro para o torcedor, mas o técnico e a diretoria leem as entrelinhas. Artur Jorge busca definir a espinha dorsal do time até a estreia no Campeonato Brasileiro. Os próximos treinos devem confirmar se as variações táticas vistas nos jogos-treino serão mantidas ou se o treinador optará por um esquema mais fixo.
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Perguntas Frequentes
Artur Jorge já definiu o time titular do Cruzeiro?
Não. Os jogos-treino serviram para testar formações, mas o time titular ainda não foi anunciado. A tendência é que a definição ocorra nos últimos amistosos antes da estreia.
Quantos gols o Cruzeiro marcou nos jogos-treino?
Foram 9 gols no total: 5 a 0 contra o sub-20 e 4 a 1 contra uma equipe convidada.
Quais formações Artur Jorge testou?
Ele testou o 4-3-3 no primeiro jogo e o 4-4-2 no segundo, com variações na movimentação dos laterais.
Matheus Pereira jogou em qual posição?
Atuou como falso ponta-esquerda, com liberdade para flutuar por dentro, abrindo espaço para a subida do lateral.
Há risco jurídico em usar atletas não registrados em jogos-treino?
Sim. Atividades internas são permitidas, mas o registro no BID da CBF é obrigatório para partidas oficiais. Lesões nesse contexto podem gerar litígios trabalhistas.
O que a Lei Pelé diz sobre jogos-treino?
A Lei Pelé permite que o clube exija participação em atividades preparatórias, desde que não haja risco excessivo. Cláusulas compensatórias não incidem sobre amistosos internos.