Arboleda supera turbulências e vira capitão do São Paulo
Arboleda voltou a usar a braçadeira de capitão do São Paulo na vitória por 2 a 1 sobre o Red Bull Bragantino, no último sábado, pela 25ª rodada do Campeonato Brasileiro. O zagueiro equatoriano, de 34 anos, recebeu a faixa das mãos de Luciano, substituído aos 25 minutos da etapa final. A cena fecha um ciclo que começou com um sumiço em abril, passou por afastamento e culminou na reintegração ao elenco profissional.
Aos olhos da justiça desportiva, a situação levanta questão relevante: como medir a confiança de um atleta após conduta que viola deveres básicos de disciplina? No caso concreto, a comissão técnica respondeu com critérios objetivos: desde a reintegração, Arboleda disputou seis dos oito jogos do São Paulo após a pausa da Copa do Mundo, sendo titular em todos. Marcou gol no jogo de ida contra o Bolívar-BOL, pelas oitavas da Sul-Americana. Na temporada, soma 17 partidas, com um gol e uma assistência.
Dorival Júnior, que não se opôs à reintegração, justificou a hierarquia: "Ele vem fazendo grandes jogos. O Arboleda sempre foi um jogador muito confiável. Em todas as minhas três passagens, incluindo a de agora, ele sempre foi um jogador da minha confiança, e não deixará de sê-lo. É um dos capitães da equipe, como o Rafael, de repente o Tolói e outros mais." A declaração, porém, não convenceu parte da torcida. Nas redes sociais, torcedores questionaram a decisão: "O Arboleda ser capitão é um resumo do atual momento", comentou um. Outro criticou: "Arboleda capitão, fim do mundo mesmo!"
O episódio que originou o afastamento ocorreu em abril. Arboleda não se apresentou para o duelo contra o Cruzeiro, no dia 4, viajando ao Equador sem aviso. O clube não confirmou o paradeiro de imediato; a localização foi atestada no dia seguinte. O São Paulo chegou a notificá-lo judicialmente, com ameaça de rescisão unilateral. O zagueiro voltou em 4 de maio, exatamente um mês depois, e passou a treinar em horários separados. Santos e Vitória demonstraram interesse, mas não iniciaram tratativas.
A reviravolta veio com a demissão de Rui Costa, diretor de futebol, no final de junho. Quatro dias depois, o clube publicou nota oficial e anunciou a reintegração após "diversas avaliações". Arboleda revelou quadro de depressão, pediu desculpas e buscou apoio psicológico. No primeiro jogo após o retorno, foi vaiado, mas respondeu com gol diante do Bolívar-BOL.
A braçadeira, agora, simboliza a reintegração plena. A competição só existe se a regra valer para todos, e a regra, aqui, foi aplicada com critério técnico. Resta ver se a confiança depositada se traduz em consistência dentro das quatro linhas. O próximo teste é sábado, dia 5, contra o Atlético-MG, às 18h30, pela 26ª rodada próximos jogos do São Paulo no Brasileirão.