Análise: Corinthians eliminado e alerta no Brasileiro
O pênalti desperdiçado por Memphis Depay nos acréscimos pode ser a imagem que fica da eliminação do Corinthians para o Estudiantes, mas não explica sozinho a queda nas quartas de final da Libertadores. Nos 180 minutos do confronto, o Timão fez pouco para merecer vaga na semifinal.
A resposta direta é esta: a eliminação se construiu ao longo de toda a eliminatória, não em um lance isolado.
- Na ida, em La Plata, o Corinthians fez um primeiro tempo ruim, saiu atrás nos minutos iniciais e demorou a entrar no jogo.
- A equipe reagiu depois do intervalo, empatou com Kaio César e voltou ao Brasil com a decisão aberta.
- Na Neo Química Arena, a postura de aproveitar o fator casa não apareceu. O time pouco sofreu defensivamente, mas teve repertório ofensivo pobre.
- O gol argentino, na reta final, complicou a missão. O pênalti perdido por Memphis encerrou a reação.
Faltou empenho? Não. Faltaram criatividade e repertório coletivo para superar a marcação do Estudiantes. Transformar o erro do holandês no único responsável pela eliminação seria ignorar os problemas apresentados durante toda a eliminatória.
O que mudou, e é o ponto mais sensível, é que a atuação de quarta-feira não foi episódio isolado. O trabalho de Fernando Diniz estagnou, e o Corinthians atravessa momento ruim no Campeonato Brasileiro, com cinco derrotas consecutivas. A sequência negativa aproximou a equipe da zona de rebaixamento, que está a apenas quatro pontos de distância.
Eliminado também da Copa do Brasil, o Timão terá somente o Brasileiro pela frente até o fim da temporada. Diniz ganha mais tempo para trabalhar e não divide atenções com outras competições, mas precisa encontrar rápido soluções para uma equipe que apresenta futebol abaixo do esperado.
A eliminação na Libertadores é justa e serve de alerta. Se o desempenho não mudar rapidamente, a preocupação com a parte de baixo da tabela do Brasileirão pode ganhar proporções maiores. O risco contratual a observar, na leitura de quem acompanha bastidores de clube, é o custo de manter um elenco sem resposta coletiva quando a temporada se reduz a uma única frente.