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"Nunca recebi salário em dia", desabafa Luciano após queda do São Paulo

A cláusula que garante ao atleta o pagamento em data certa, prevista no contrato de trabalho desportivo, voltou ao centro do debate no São Paulo. Após a eliminação nas quartas de final da Copa Sul-Americana, o meia Luciano declarou ao SBT que nunca recebeu salário em dia no clube. O Tricolor empatou em 1 a 1 com o Boca Juniors na última terça-feira, no Morumbis, depois de perder a ida em Buenos Aires por 1 a 0.

O São Paulo atrasou, pela primeira vez na gestão Harry Massis, o salário em carteira do elenco profissional. Os vencimentos deveriam ter sido depositados em 8 de setembro, mas foram quitados apenas em 11 de setembro. Diante disso, lideranças do grupo se colocaram à disposição para ajudar os atletas de menor salário. O camisa 10 lamentou a situação.

"Não vou falar disso, porque é um tema muito complicado. São muitos anos que estou aqui, falei que nunca recebi salário em dia aqui. Muitos jogadores que vêm para o São Paulo vêm porque querem vestir essa camisa, porque querem estar aqui. Eu quero estar aqui. A gente ajuda quem precisa. Tentamos deixar esses problemas fora do campo para focar no jogo contra o Boca", desabafou.

"Hoje, queríamos ter vencido para dar essa vitória para a torcida, que fez uma festa linda. Mas para deixar bem claro: desde que estou aqui, nunca recebi salário em dia. Se estou aqui, recusei propostas, porque eu amo esse clube. Quero conquistar um título para ficar marcado nessa história", acrescentou.

Além dos atrasos salariais recentes, o elenco convive com três meses de atraso nos direitos de imagem. Com a queda na Sul-Americana, o clube deixou de arrecadar 800 mil dólares, cerca de R$ 4,1 milhões na cotação atual, valor que seria relevante para os compromissos de curto prazo. A dívida do São Paulo está perto de R$ 1 bilhão.

Luciano voltou a ser titular nesta terça-feira após ser preservado do clássico no fim de semana por um edema muscular na coxa esquerda. Deu assistência para o gol de Ryan Francisco, anulado por impedimento por volta dos 22 minutos do segundo tempo. Em 11 de janeiro, havia dito que 2026 seria um ano "mais difícil" para o clube.

"Não tem palavras para descrever. É concentrar todos os nossos esforços que ainda restam no Brasileiro para deixar o São Paulo onde ele merece, que é na primeira divisão. Quando eu falei que seria um dos anos mais difíceis, é por tudo que vem acontecendo. Como eu falei, todo dia sai uma notícia ruim do São Paulo. É pedir desculpas, sábado temos uma decisão importante e precisamos vencer", concluiu.

Sem a Sul-Americana, o São Paulo não tem mais chances de terminar o ano com um título e disputa apenas o Campeonato Brasileiro. O time volta a campo neste sábado contra o Inter, às 21h (de Brasília), no Morumbis, pela 28ª rodada.

O contrato é o verdadeiro escudo do atleta, e cláusula mal escrita custa milhões. No caso são-paulino, o risco a observar é a convivência prolongada com atrasos em duas verbas distintas, salário e imagem, enquanto o clube opera com dívida bilionária. Para atletas e empresários, o episódio reforça a leitura de que a previsão contratual de multa e juros por mora, e não apenas o valor do vencimento, define a proteção real em temporada de crise.

Dr. Genaro Pontes Vilhena
Advogado de contratos esportivos
Negocia e litiga contratos de atletas; explica multas, vínculos e direitos de imagem.
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