Esporte e Saude

Pelo menos um quarto dos jogadores da NFL pode desenvolver doença cerebral, aponta estudo

ResumoEstudo publicado no British Medical Journal indica que pelo menos um quarto dos jogadores da NFL, com taxa mínima de 24,5%, pode desenvolver encefalopatia traumática crônica (ETC). A doença cerebral está associada a impactos repetitivos na cabeça durante a carreira esportiva. A pesquisa reforça a necessidade de monitoramento neurológico contínuo para atletas profissionais de futebol americano.

Pelo menos um quarto dos jogadores da NFL pode desenvolver encefalopatia traumática crônica (ETC), segundo estudo publicado no British Medical Journal. A taxa mínima foi de 24,5%.

Berenice Lustosa Caminha
por Berenice Lustosa Caminha · 25 de agosto de 2026
Pelo menos um quarto dos jogadores da NFL pode desenvolver doença cerebral, aponta estudo

Pelo menos um quarto dos jogadores da NFL pode desenvolver encefalopatia traumática crônica (ETC), doença cerebral degenerativa associada a golpes repetidos na cabeça. A conclusão é de um estudo liderado por Daniel Daneshvar, professor da Escola de Medicina de Harvard, publicado no British Medical Journal nesta terça-feira (25).

A ETC, que só pode ser confirmada por exame post-mortem, provoca comprometimento cognitivo, dificuldade para caminhar, instabilidade emocional e pensamentos suicidas. A doença já foi associada a esportes de contato, como futebol americano e boxe, e também detectada em militares expostos a explosões.

Os pesquisadores analisaram cérebros de jogadores falecidos que disputaram ao menos um jogo da NFL na era do capacete de plástico obrigatório, iniciada em 1949. Entre 2016 e 2021, houve 878 mortes; 235 cérebros foram doados, e a ETC foi confirmada em 215. Isso indica taxa mínima de 24,5%, com estimativa máxima de 97,7%.

A gravidade da doença foi associada à demência, determinada por prontuários médicos e entrevistas com familiares. "Os jogadores da NFL apresentam maior prevalência de ETC no momento da morte do que a demonstrada anteriormente", escreveram os autores.

Os pesquisadores reconhecem limitações, como a exclusão de ex-jogadores falecidos no período e possíveis imprecisões nos relatos de familiares. No editorial, Tobias Kurth, do Centro Médico Universitário de Berlim, e Richard Riley, do Instituto Nacional de Pesquisa em Saúde do Reino Unido, elogiaram o desenho do estudo, chamando-o de "uma das estimativas mais informativas até o momento".

Nenhum estudo isolado define plenamente a taxa de ETC entre jogadores da NFL. Por isso, é essencial comunicar periodicamente as evidências científicas aos jogadores do passado, do presente e do futuro.

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