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Venda de Vanderson: Rio Branco (SP) sob análise da Justiça

ResumoA venda de Vanderson pelo Rio Branco (SP) gerou milhões ao clube, mas a Justiça investiga divergências entre a contabilidade oficial e os documentos apresentados. O caso envolve possíveis irregularidades na transação do atleta, revelado pelo time paulista. A apuração busca esclarecer se os valores declarados correspondem aos repasses efetivamente recebidos. O clube permanece sob análise judicial.

A venda de Vanderson, revelado pelo Rio Branco (SP), trouxe milhões ao clube, mas a Justiça apura diferenças entre a contabilidade e os documentos. Entenda o caso.

Dr. Genaro Pontes Vilhena
por Dr. Genaro Pontes Vilhena · 03 de agosto de 2026
Venda de Vanderson: Rio Branco (SP) sob análise da Justiça

Venda de Vanderson: milhões do Rio Branco (SP) sob análise da Justiça

A venda do lateral Vanderson, revelado pelo Rio Branco (SP), com passagem por Grêmio e Seleção Brasileira, representou uma das maiores receitas da história recente do clube de Americana. Os milhões que entraram nos cofres do Tigre, porém, hoje fazem parte de um dos principais pontos de questionamento da recuperação judicial.

O que mudou: a Justiça passou a fiscalizar de perto como o clube utilizou os valores recebidos pela negociação internacional do jogador. A administradora judicial identificou parte da movimentação, mas concluiu que existem diferenças milionárias entre a contabilidade e a documentação apresentada.

Os valores recebidos pelo Rio Branco

Segundo a administradora judicial, o Rio Branco recebeu R$ 7.312.067,49 entre outubro de 2023 e março de 2025, referentes à terceira e à quarta parcelas da negociação de Vanderson. O clube informou que a primeira e a segunda parcelas foram recebidas em 2022 e retidas na Justiça do Trabalho e na Justiça Comum, respectivamente.

Além disso, o clube informou existir um bônus pendente de 85,5 mil euros, condicionado ao cumprimento de metas pelo atleta. Esse valor está em discussão no CNRD (Câmara Nacional de Resolução de Disputas) da CBF.

O contexto da venda ao Monaco

Revelado pelo Rio Branco, Vanderson foi vendido pelo Grêmio ao Monaco, da França, em 2022, por cerca de 11 milhões de euros. Na época, o Rio Branco ainda era dono de 30% dos direitos do jogador.

Como Vanderson foi revelado na categoria sub-17 do Rio Branco em uma época na qual esta era administrada pelo ex-jogador Sandro Hiroshi, 70% dos valores aos quais o clube tinha direito eram da empresa de Sandro, e os outros 30%, do clube.

O Rio Branco recebeu então os 30% da negociação, em quatro parcelas, sendo que 70% desse montante precisava ser destinado à empresa de Sandro Hiroshi.

O que a administradora conseguiu comprovar

A análise feita pela administradora judicial mostra que parte dos recursos teve destinação identificada. O principal pagamento foi um repasse de R$ 4.019.999,00 à SH Sports Ltda., a empresa de Sandro Hiroshi.

Além disso, foram identificadas despesas com honorários advocatícios, manutenção, folha salarial, impostos, prestadores de serviços e outras obrigações do clube. Ao todo, a administradora conseguiu comprovar documentalmente a aplicação de R$ 7.068.741,96.

O problema: diferença de R$ 5,7 milhões

Apesar da prestação de contas apresentada pelo Rio Branco, a administradora judicial informou que a documentação não foi suficiente para explicar toda a movimentação financeira.

Segundo o relatório, enquanto o clube registrou R$ 12.775.990,26 em despesas na contabilidade, apenas R$ 7.068.741,96 puderam ser comprovados por meio da documentação apresentada. A diferença é de R$ 5.707.248,30.

A administradora judicial escreveu: "Foram considerados nas análises apenas os documentos nos quais era possível identificar o Clube como devedor das despesas, em número de 1.844 (foram submetidos mais de 2.600 documentos para análise), tendo sido desprezados quaisquer outros não vinculados diretamente ao Recuperando".

O relatório não afirma que houve desvio de recursos nem desaparecimento de dinheiro. A conclusão da administradora é que essa diferença precisa ser reconciliada e explicada pelo Rio Branco. Foi justamente essa conclusão que levou a Justiça a intensificar a fiscalização do processo de recuperação judicial.

O papel da Manager Serviços Administrativos

Outro ponto observado durante a análise diz respeito à forma como parte dos pagamentos era realizada. A administradora judicial registrou que grande parte das despesas do Rio Branco é processada por meio da Manager Serviços Administrativos Ltda.

A Gazeta Esportiva apurou, com base nos extratos bancários anexados ao processo, que recursos recebidos pelo clube, incluindo valores provenientes da negociação de Vanderson, transitaram por contas da empresa.

A empresa Manager Serviços Administrativos Ltda, de pequeno porte, foi fundada em 24 de janeiro de 2023. Tem capital social de R$ 10 mil, sede em Americana, e conta como sócio-administrador Claudio Luiz Bonaldo, presidente do clube. Sua atividade principal é de atividades de condicionamento físico e as secundárias de "ensino de esportes" e "atividades de administração de fundos por contrato ou comissão".

Até o momento, porém, o Rio Branco não apresentou, nos autos da recuperação judicial, uma explicação sobre a utilização da Manager para movimentação desses recursos. Em balanço mais recente, a própria Manager passou a aparecer como credora do clube, com aproximadamente R$ 50 mil a receber.

O que esperar daqui para frente

A Gazeta Esportiva procurou o Rio Branco para esclarecer a destinação dos recursos recebidos pela negociação de Vanderson e os apontamentos feitos pela administradora judicial. Até a publicação desta reportagem, o clube não havia se manifestado.

O ponto central agora é a reconciliação dos valores. A Justiça deve cobrar do clube explicações sobre a diferença de R$ 5,7 milhões, além da utilização da Manager para movimentar recursos. Para clubes em recuperação judicial, a transparência na prestação de contas é determinante para a credibilidade do processo.

Perguntas Frequentes

Quanto o Rio Branco recebeu pela venda de Vanderson?

O Rio Branco recebeu R$ 7.312.067,49 entre outubro de 2023 e março de 2025, referentes à terceira e à quarta parcelas da negociação. As duas primeiras parcelas foram recebidas em 2022 e retidas na Justiça do Trabalho e na Justiça Comum.

Qual é a diferença apontada pela administradora judicial?

O clube registrou R$ 12.775.990,26 em despesas, mas apenas R$ 7.068.741,96 foram comprovados documentalmente. A diferença é de R$ 5.707.248,30.

O que é a Manager Serviços Administrativos?

É uma empresa de pequeno porte, fundada em 2023, com sede em Americana, que tem como sócio-administrador Claudio Luiz Bonaldo, presidente do Rio Branco. Grande parte das despesas do clube é processada por meio dela.

O relatório afirma que houve desvio de recursos?

Não. O relatório não afirma que houve desvio nem desaparecimento de dinheiro. A conclusão é que a diferença precisa ser reconciliada e explicada pelo clube.

O que acontece agora?

A Justiça intensificou a fiscalização do processo de recuperação judicial do Rio Branco. O clube precisa apresentar explicações sobre a destinação dos recursos e a diferença contábil.

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