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Inter precisa arrecadar de R$ 60 mi a R$ 70 mi até dezembro

O Internacional precisa arrecadar entre R$ 60 milhões e R$ 70 milhões até dezembro para manter em dia os compromissos com o elenco. A estimativa foi apresentada por Alessandro Barcellos em reunião com conselheiros e pré-candidatos à presidência do clube.

O montante garantiria o pagamento de salários, direitos de imagem, valores atrasados e 13º salário, somado às receitas ordinárias do clube no período. O primeiro aporte já foi confirmado: uma doação de R$ 20 milhões feita pelo empresário Delcir Sonda, anunciada na noite de sexta-feira.

O valor doado é suficiente para a quitação dos atrasos do Inter com os jogadores. A costura do acerto teve participação de Roberto Melo, um dos presentes na reunião e pré-candidato à presidência. Sonda apoiou Melo na última eleição e recebeu o ex-dirigente em São Paulo.

O que compõe a meta de arrecadação

A cifra informada por Barcellos não se resume à folha salarial. O cálculo inclui quatro frentes distintas de obrigação com o elenco:

  • Salários mensais em dia até o fim do ano
  • Direitos de imagem, que costumam ter calendário próprio de pagamento
  • Valores já atrasados, que precisam ser quitados
  • 13º salário, com vencimento no fim do exercício

A soma dessas obrigações com as receitas previstas é o que define o intervalo entre R$ 60 milhões e R$ 70 milhões. Do lado contratual, a quitação de direitos de imagem é a que costuma gerar mais atrito: é verba de natureza distinta do salário e, quando atrasa, abre margem para notificação formal e até rescisão indireta. direitos de imagem no contrato de atleta

Doação cobre o curto prazo, não o ano

Os R$ 20 milhões doados por Sonda resolvem o passivo imediato com os jogadores. Não cobrem, porém, a meta total estimada por Barcellos. A diferença entre o valor recebido e o intervalo de R$ 60 milhões a R$ 70 milhões precisa vir de outras fontes até dezembro.

O prazo é o ponto sensível. Compromissos com o elenco têm data certa, e o clube depende de arrecadação própria para honrá-los. A reunião com conselheiros e pré-candidatos sinaliza que a discussão sobre o fluxo de caixa entra no calendário político da eleição presidencial.

A leitura contratual é direta: quanto mais o clube depende de aportes pontuais, maior a exposição a atrasos. O contrato é o escudo do atleta, e cláusula de pagamento com prazo claro reduz o espaço para renegociação caso a arrecadação não se confirme. cláusula compensatória na Lei Pelé

O risco a observar até dezembro é o descasamento entre a meta informada e as receitas efetivamente realizadas. Se a diferença não for coberta, os atrasos voltam à pauta.

Dr. Genaro Pontes Vilhena
Advogado de contratos esportivos
Negocia e litiga contratos de atletas; explica multas, vínculos e direitos de imagem.
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