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Psiquiatra defende medicação de Maradona em julgamento

Um psiquiatra convocado pela defesa afirmou nesta quinta-feira, em audiência do julgamento de sete profissionais de saúde pela morte de Diego Maradona em 2020, que a medicação recebida pelo ex-jogador durante a internação domiciliar era a adequada para o seu quadro. A declaração abre a fase de depoimentos das defesas no processo conduzido pelo tribunal de San Isidro, perto de Tigre, ao norte de Buenos Aires.

O que o psiquiatra da defesa disse

Aníbal Areco, convocado pelos advogados de Agustina Cosachov, contestou a tese apresentada por especialistas da acusação nas audiências iniciadas em abril. Segundo ele, "a causa da morte não pôde ser determinada, mas posso afirmar que não foi por intoxicação nem por uma questão medicamentosa". Areco também afirmou que "a indicação psicofarmacológica foi adequada para o quadro que o paciente apresentava" e que a dose administrada "não provoca cardiotoxicidade".

O depoimento responde diretamente a um dos eixos da acusação. Peritos convocados pela acusação questionaram os psicofármacos administrados por Cosachov, uma das acusadas, por seus possíveis efeitos sobre as funções hepática, renal e cardíaca. Areco relativizou ainda a necessidade de internar Maradona contra a sua vontade, ponto levantado por outros peritos no julgamento: "Não há indícios para afirmar que este paciente precisava desse processo".

O que está em julgamento

Maradona morreu em 25 de novembro de 2020, em decorrência de uma parada cardiorrespiratória e de um edema pulmonar, durante uma internação domiciliar em uma casa em Tigre. Ele havia sido transferido para lá depois de passar por uma cirurgia neurológica em 3 de novembro daquele ano. A pertinência, as condições e a assistência dessa internação estão sob exame no processo.

Cosachov responde, junto com outros seis profissionais de saúde, por homicídio simples com dolo eventual, que pressupõe que o acusado tinha ciência do risco de que suas ações ou omissões poderiam causar a morte do ex-jogador. A acusação questiona tanto a medicação psiquiátrica quanto a participação de Cosachov na organização da internação domiciliar.

Os acusados, embora com estratégias diferentes, alegam inocência em relação a uma acusação que prevê penas de até 25 anos de prisão. O julgamento começou em abril e a expectativa é de que termine antes de novembro, quando o tribunal decidirá se o herói do título mundial da Argentina em 1986 foi vítima de homicídio.

O que ainda falta decidir

A fase de depoimentos das defesas, aberta nesta semana, deve se estender pelas próximas audiências. A palavra final cabe ao tribunal de San Isidro, que ainda não tem prazo formal para o veredito. Até lá, a disputa entre peritos da acusação e da defesa sobre a medicação e sobre a internação domiciliar segue como o núcleo técnico do processo.

Nayara Pilatti Rondon
Jornalista de esportes olímpicos e modalidades amadoras
Cobre vôlei, atletismo e judô; mostra a justiça desportiva além do futebol.
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