Maradona comia pouco e ficava prostrado, revela cuidador
Maradona comia pouco e ficava prostrado na cama, revela cuidador em julgamento
Diego Maradona comia pouco, sofria de incontinência urinária e ficava prostrado na cama nos dias que antecederam sua morte. A descrição é de um cuidador do ídolo argentino, ouvido no julgamento da equipe médica responsável pelo ex-jogador. O depoimento ocorreu em San Isidro, a 26 quilômetros de Buenos Aires, e trouxe novos detalhes sobre o estado debilitado do astro antes de seu falecimento.
Como era o dia a dia de Maradona antes da morte, segundo o cuidador
Aníbal Domínguez, cuidador que conviveu com Maradona nas semanas anteriores ao falecimento, relatou que o ex-craque comia pouco, tinha dificuldade para urinar e passava dias inteiros sem se levantar da cama. Ele também sofria com sintomas de abstinência alcoólica, o que tornava o acompanhamento ainda mais delicado.
Domínguez morou na casa onde Maradona se recuperava por cerca de uma semana, até 22 de novembro. Ele descreveu o ex-jogador como alguém "com retenção de líquidos e inchado" naquele período. O cuidador trabalhava com Maradona desde 2015, o que lhe dava conhecimento íntimo dos hábitos e do comportamento do ídolo.
Dificuldades para acordar, banho e alimentação
O cuidador contou que era difícil acordar Maradona e convencê-lo a tomar banho ou comer. "Diego estava de mau humor, tratava todo mundo mal", disse Domínguez. A situação chegava ao ponto de o ex-jogador fazer as necessidades nas roupas, sem conseguir chegar ao banheiro.
O relato pinta um quadro de deterioração física e mental que contrasta com a imagem do craque que encantou o mundo nos anos 1980 e 1990. A rotina de cuidados domiciliares, que deveria ser um período de recuperação após a cirurgia no cérebro, transformou-se em um desafio constante para os profissionais envolvidos.
O julgamento da equipe médica em San Isidro
O depoimento de Domínguez foi ouvido em uma nova audiência do julgamento que busca apurar a responsabilidade da equipe médica que cuidou de Maradona durante sua recuperação. O astro morreu de parada cardiorrespiratória e edema pulmonar, em uma casa em Tigre, ao norte da capital argentina.
Maradona faleceu em 25 de novembro de 2020, aos 60 anos, enquanto recebia cuidados domiciliares após uma cirurgia no cérebro. O processo judicial em San Isidro tenta determinar se houve negligência por parte dos profissionais de saúde que o acompanhavam.
Leopoldo Luque, o médico pessoal e principal réu
Domínguez mantinha diálogo constante com o médico pessoal de Maradona, Leopoldo Luque, principal réu do caso. O cuidador contou que, naqueles dias, pediu que Luque fosse ver o paciente: "Ele tinha que vir e não vinha."
A relação entre Maradona e Luque era complexa. "Diego estava recém-operado, então tinha que haver alguém responsável ali. Luque era o médico e amigo dele; ele expulsava o Luque, chegava a cuspir nele, e Luque esperava um pouco, voltava, e eles conversavam", relatou o cuidador.
Gravações de áudio reforçam o estado crítico de Maradona
Durante a audiência, foram reproduzidas gravações de áudio nas quais Domínguez informava a Luque que Maradona estava "perdido e tinha tremores" no dia 20 de novembro. Ambos atribuíram os sintomas à abstinência alcoólica, uma hipótese que ganhou força nos dias anteriores à morte.
No entanto, naquela mesma noite, Maradona pediu para dar uma volta de carro, e o cuidador o atendeu. O episódio mostra a oscilação do estado do ex-jogador, que alternava momentos de debilidade extrema com lampejos de vontade própria.
"Não se podia entrar em conflito com Diego e dizer 'não' a ele, porque era pior, ele explodia (...) Diego era o chefe", disse Domínguez, diante de uma plateia que incluía duas das filhas de Maradona, Dalma e Gianinna.
Os réus e a acusação de homicídio com dolo eventual
Além de Luque, outros seis profissionais de saúde estão sendo julgados por homicídio com dolo eventual. Essa figura jurídica implica que eles estavam cientes de que suas ações ou omissões poderiam provocar a morte de Maradona. Todos os réus alegam inocência.
A acusação sustenta que a equipe médica tinha conhecimento do estado grave do paciente e mesmo assim não tomou as medidas necessárias para evitar o desfecho fatal. A defesa, por sua vez, argumenta que os cuidados prestados foram adequados e que a morte decorreu de complicações naturais.
O papel do cuidador no processo
O depoimento de Domínguez é considerado peça-chave para a acusação. Sua convivência próxima com Maradona nos dias finais e sua comunicação constante com Luque fornecem um retrato detalhado do que aconteceu dentro da casa em Tigre.
O cuidador descreveu um paciente que precisava de atenção médica urgente, mas que, por sua personalidade forte, resistia aos cuidados. A tensão entre a necessidade de tratamento e a recusa do paciente é um dos pontos centrais analisados pelo tribunal.
O que esperar das próximas audiências
O julgamento em San Isidro deve continuar nas próximas semanas, com novos depoimentos e análise de evidências. A corte precisa determinar se houve negligência criminosa ou se a equipe médica agiu dentro dos limites aceitáveis diante de um paciente difícil como Maradona.
A atenção da imprensa internacional permanece voltada para o caso, que envolve uma das maiores lendas do futebol mundial. O desfecho pode estabelecer precedentes importantes sobre a responsabilidade médica em cuidados domiciliares de pacientes pós-operatórios.
Para dirigentes e profissionais do esporte, o caso serve como alerta sobre a importância do monitoramento rigoroso da saúde de atletas, especialmente após procedimentos invasivos. A integridade física de um ídolo depende tanto da equipe médica quanto do respeito aos protocolos de recuperação.
Perguntas Frequentes
Quando Diego Maradona morreu?
Diego Maradona morreu em 25 de novembro de 2020, aos 60 anos, vítima de parada cardiorrespiratória e edema pulmonar, em uma casa em Tigre, na Argentina.
Quem é Aníbal Domínguez?
Aníbal Domínguez é um cuidador que trabalhou com Maradona desde 2015 e conviveu com ele nas semanas anteriores à sua morte. Ele é testemunha no julgamento da equipe médica.
O que é homicídio com dolo eventual?
Homicídio com dolo eventual é quando o agente assume o risco de causar a morte, mesmo sem ter intenção direta. No caso Maradona, a acusação sustenta que a equipe médica sabia que suas ações ou omissões poderiam levar à morte do paciente.
Onde ocorre o julgamento?
O julgamento acontece em San Isidro, cidade localizada a 26 quilômetros de Buenos Aires, na Argentina.
Quantos profissionais estão sendo julgados?
Além de Leopoldo Luque, principal réu, outros seis profissionais de saúde estão sendo julgados por homicídio com dolo eventual. Todos alegam inocência.