Bastidores

Corinthians se manifesta após denúncia do MP contra Stábile

ResumoO Corinthians divulgou nota oficial nesta quarta-feira após o Ministério Público de São Paulo denunciar o presidente Osmar Stábile por suposta apropriação indébita na contratação da empresa Bear Security. O clube negou que a despesa tenha caráter privado e afirmou que colaborará com as autoridades responsáveis pela investigação.

O Corinthians divulgou nota oficial nesta quarta-feira após o Ministério Público de São Paulo denunciar o presidente Osmar Stábile por suposta apropriação indébita na contratação da Bear Security. O clube nega despesa privada e promete cooperação.

Dr. Genaro Pontes Vilhena
por Dr. Genaro Pontes Vilhena · 16 de setembro de 2026
Corinthians se manifesta após denúncia do MP contra Stábile

O Corinthians divulgou, nesta quarta-feira, nota oficial sobre a denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo contra o presidente Osmar Stábile. O clube afirmou que a acusação ainda será analisada pelo Poder Judiciário e ressaltou que a apresentação da denúncia não representa condenação nem comprovação de responsabilidade criminal.

A manifestação veio depois de o MP denunciar Stábile por suposta apropriação indébita envolvendo a contratação da empresa Bear Security. Segundo a Promotoria, o Corinthians teria desembolsado R$ 721.194,66 para a empresa entre julho de 2025 e agosto de 2026.

O que o Corinthians alegou na nota

O clube defendeu a contratação da Bear Security para a segurança de Stábile e de seus familiares. Segundo a nota, a medida foi tomada diante de riscos à integridade do presidente relacionados ao exercício do cargo.

"Esse cenário exigiu a contratação urgente de uma nova equipe, com profissionais que contassem com a confiança do presidente para desempenhar uma atividade sensível de proteção pessoal", afirmou o Corinthians.

O clube também argumentou que Stábile assumiu a presidência após o processo de impeachment do mandatário anterior e, por isso, não teve o período padrão de transição eleitoral. Segundo a nota, a situação trouxe urgência à contratação dos serviços.

Ainda conforme a manifestação, os valores pagos à empresa são compatíveis com os praticados no mercado para serviços de natureza, abrangência e complexidade equivalentes.

"A contratação possui escopo distinto, mais amplo e complexo do que os atendimentos anteriormente realizados por profissionais de segurança em caráter particular e custeados com recursos pessoais do Sr. Osmar Stábile", acrescentou o clube.

O que sustenta a denúncia do MP

Na avaliação do Ministério Público, os serviços contratados com recursos do clube eram destinados à segurança pessoal de Stábile e, possivelmente, de familiares. A Promotoria sustenta que o dirigente teria utilizado dinheiro da instituição para custear uma despesa que deveria ser particular.

Um dos pontos da denúncia é que o Corinthians já possuía a empresa Unity Serviços Terceirizados para cuidar da segurança institucional do clube. Para o MP, a Bear Security teria sido contratada especificamente para a proteção pessoal do presidente.

O documento também cita uma declaração de Stábile na qual o presidente reconheceu que o Corinthians arcava com os pagamentos e classificou o serviço como uma "segurança VIP ao presidente". O dirigente também teria afirmado que os responsáveis pela empresa eram pessoas de sua confiança.

A Promotoria aponta ainda que a Bear Security não teria autorização da Polícia Federal para atuar como empresa de segurança privada, o que motivou pedido de investigação específica sobre a atuação da empresa. O MP também questionou a justificativa do clube baseada no artigo 119 do Estatuto Social, que prevê gastos com serviços internos e eventuais, entendendo que o dispositivo não autorizaria despesas particulares em benefício de dirigentes.

Pedidos e próximos passos

Além da denúncia criminal, o Ministério Público pediu à Justiça o afastamento cautelar de Stábile de suas funções no Corinthians. Entre as medidas solicitadas estão a proibição de acesso às dependências do clube, de contato com testemunhas e dirigentes e de exercício de funções associativas ou representação institucional. O MP também pediu restrições para viagens nacionais e internacionais e o bloqueio de bens do presidente para garantir eventual ressarcimento.

A Promotoria ainda cobra aproximadamente R$ 721 mil por danos materiais e cerca de R$ 540,8 mil em indenização por danos morais ao Corinthians. Os pedidos, assim como a própria denúncia, ainda dependem de análise da Justiça.

Caso a Justiça receba a denúncia, Stábile passará à condição de réu em uma ação penal e poderá apresentar sua defesa ao longo do processo. Até o momento, ele permanece no exercício da presidência, já que o pedido de afastamento depende de decisão judicial.

Na nota, o Corinthians negou que tenha simplesmente assumido uma despesa privada preexistente e ressaltou que o vínculo anterior de alguns profissionais com o presidente não significa que a instituição tenha assumido uma obrigação particular. O clube e Stábile reafirmaram o compromisso com a transparência, a proteção do patrimônio da instituição e o respeito às autoridades, e o Corinthians afirmou que prestará "integral cooperação às apurações", fornecendo os documentos e esclarecimentos necessários.

Do ponto de vista contratual, o episódio ilustra um risco recorrente em estruturas esportivas: a confusão entre despesa institucional e despesa pessoal de dirigente. A cláusula que autoriza gastos internos precisa ser lida junto com a finalidade do cargo, e é aí que a disputa jurídica tende a se concentrar. contratos de direitos de imagem no esporte

O desfecho depende agora do Judiciário, que avaliará tanto a denúncia quanto os pedidos cautelares. Até lá, o Corinthians segue sob gestão de Stábile, e o clube mantém a versão de que agiu para proteger o presidente, não para custear despesa privada.

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