Caso Ticketmaster expõe guerra política no São Paulo
A três meses da eleição, o caso Ticketmaster escancara a guerra política no São Paulo: Massis e Olten Ayres se enfrentam por contrato de R$ 140 milhões que pode quitar dívidas com o elenco.
O conflito de versões sobre a troca na gestão de ingressos do Morumbis virou mais um capítulo da guerra política nos bastidores do São Paulo. A três meses da eleição presidencial, marcada para a primeira quinzena de dezembro, o presidente Harry Massis segue em rota de colisão com Olten Ayres, presidente do Conselho Deliberativo.
O contrato com a Ticketmaster, se aprovado pelos conselheiros, prevê antecipação de R$ 140 milhões ao clube ainda este ano. A diretoria executiva trata o montante como fundamental para quitar valores em atraso com o elenco, incluindo direitos de imagem atrasados em mais de dois meses para alguns jogadores.
O acordo já passou pelo Conselho Administrativo. Mas Olten Ayres impôs um empecilho: na última terça-feira, delegou a criação de uma comissão especial, com quatro conselheiros, para analisar todo o documento. A motivação foi um e-mail de Cesar Sbrighi, gerente de país da NewC no Brasil, empresa que disputava a gestão dos ingressos. Ele questionou como se deu a escolha pela Ticketmaster, que venceu a concorrência para substituir a Total Acesso, cujo contrato termina no fim do ano.
A resposta veio rápida. Em nota na quarta-feira, Massis repudiou a NewC e o Conselho, chamando o imbróglio de "tentativa de prejudicar um processo estruturado". O clube afirmou que a oferta concorrente não foi apresentada formalmente de maneira estruturada.
Em áudio vazado na terça-feira, com veracidade confirmada pela reportagem, Massis pediu apoio de grupos políticos para pressionar Olten a colocar a pauta em votação. "Se segurar e não for votada, não vamos cumprir nada. Não vai ter dinheiro para pagar nada", disse o mandatário.
A briga não é nova. Em fevereiro, Christina Massis, filha do presidente, virou alvo de denúncia por supostas revendas irregulares de ingressos. Em abril, Massis protocolou pedido de expulsão de Olten por suposta gestão temerária, reprovado em junho. Massis também enfrentou pedido de expulsão, arquivado pela Comissão de Ética.
A rejeição da reforma estatutária, em 27 de agosto, foi tratada como vitória da gestão Massis. Olten, que apoiava a pauta, criticou: "A guerra política é pior, porque é uma guerra contra o São Paulo. As pessoas estão colocando o poder pelo poder sem olhar a instituição", afirmou ao Metrópoles.
Com a desistência de Rogério Caboclo, o nome da oposição é Marcelinho Portugal Gouvêa. Massis não descarta concorrer. O risco contratual: a demora na votação pode atrasar o caixa e agravar passivos com o elenco.