Áudio vazado: Harry Massis cobra aprovação de contrato com Ticketmaster
Um dia após o Conselho Deliberativo do São Paulo criar uma comissão para analisar o contrato com a Ticketmaster, um áudio vazado do presidente Harry Massis Jr. reforçou a urgência da diretoria pela aprovação do acordo. Na gravação, divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pela Gazeta Esportiva, o mandatário afirma que o clube terá dificuldades para honrar compromissos financeiros caso a proposta não seja colocada em votação.
No áudio, Harry pede apoio para que o presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres de Abreu Júnior, coloque a proposta em pauta o quanto antes. O dirigente também demonstra preocupação com a repercussão da situação financeira do clube.
"Agora eu preciso que vocês ajudem a fazer o presidente (Olten Ayres) do CD (Conselho Deliberativo) colocar a pauta para ser votada. Porque, se segurar e não for votada, não vamos cumprir nada, pô! Não vai ter dinheiro para pagar nada, entende? Então, tem muita gente bocuda que fala o que não deve falar, e daí recai sobre a minha pessoa."
A fala acontece em meio à expectativa da diretoria para aprovar o acordo com a Ticketmaster, responsável por substituir a Total Acesso na gestão da venda de ingressos do Morumbis a partir de 2027. Embora o contrato já tenha recebido aval do Conselho de Administração, ele ainda precisa ser aprovado pelo Conselho Deliberativo para entrar em vigor.
Na última terça-feira, Olten Ayres anunciou a criação de uma comissão especial para analisar os termos do acordo antes de levá-lo à votação. O grupo é formado pelos conselheiros Daurio Speranzini Junior, Flavio Angerami Marques Junior, Daniel Dinis Fonseca e Marcel de Siqueira Bonilha. A medida foi tomada após questionamentos apresentados pela NewC, empresa que disputou a concorrência com a Ticketmaster. Em documento encaminhado ao Conselho, a companhia alegou ter encontrado inconsistências no processo de escolha da nova parceira comercial e pediu uma análise mais aprofundada do caso.
Com isso, a votação do contrato dependerá da conclusão dos trabalhos da comissão criada pelo Conselho Deliberativo.
A proposta escolhida pelo São Paulo prevê uma antecipação de R$ 140 milhões aos cofres do clube. O montante é composto por R$ 110 milhões que seriam disponibilizados cerca de 45 dias após a assinatura do contrato, além de aproximadamente R$ 30 milhões pelo uso de um camarote no Morumbis. O acordo também prevê um investimento de R$ 6 milhões para a reforma do museu do São Paulo no estádio.
Os R$ 110 milhões funcionarão como uma espécie de empréstimo. O valor será devolvido à Ticketmaster ao longo de cinco anos, com juros atrelados ao CDI mais 1,99%. A antecipação dos recursos é vista pela diretoria como fundamental para reforçar o caixa do clube no curto prazo. Atualmente, o São Paulo possui pendências relacionadas ao pagamento de direitos de imagem do elenco, com alguns casos acumulando mais de dois meses de atraso.
Em julho, dirigentes se reuniram com os jogadores e prometeram regularizar a situação em até um mês, mas a meta não foi cumprida. Por isso, a diretoria entende que os valores previstos no acordo com a Ticketmaster podem ajudar o clube a quitar débitos imediatos e amenizar o cenário financeiro.